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Câncer de reto em alta, e o câncer colorretal ficando mais jovem

O que o relatório Colorectal Cancer Statistics 2026, da American Cancer Society, revela sobre a mudança de perfil da doença, e o que isso muda na prevenção

Muita gente ainda associa câncer colorretal a pessoas mais velhas. Só que os dados divulgados pela American Cancer Society em 2 de março de 2026 mostram uma mudança importante nos Estados Unidos: enquanto a doença continua caindo em quem tem 65 anos ou mais, ela está subindo em pessoas com menos de 65, principalmente entre adultos mais jovens.

O ponto que chama atenção nessa virada é o reto. Depois de décadas de queda, a incidência de câncer de reto voltou a crescer, em média, 1% ao ano entre 2018 e 2022.

E isso não é só um detalhe estatístico. Hoje, o câncer de reto já responde por cerca de um terço dos diagnósticos de câncer colorretal, em torno de 32%, e esse número era 27% em meados dos anos 2000.

Quando olhamos o cenário completo, o relatório descreve duas realidades convivendo ao mesmo tempo. Em adultos com 65 anos ou mais, a incidência e a mortalidade continuam caindo, mais de 2% ao ano.

Já abaixo dos 65, a tendência se inverte. A incidência cresce 3% ao ano entre 20 e 49 anos, e 0,4% ao ano entre 50 e 64 anos.

Esse deslocamento aparece também na proporção de casos. Quase metade, 45%, dos novos diagnósticos de câncer colorretal já ocorre em pessoas com menos de 65 anos, em 1995 esse percentual era 27%.

E por que o reto entra no centro da conversa. Porque os dados sugerem que a alta tem um endereço mais específico. Ela se concentra no final do intestino, especialmente no reto, e na porção do intestino grosso mais próxima dele.

Agora vem a parte que mais importa fora do papel. Quando a doença aparece mais cedo, ela costuma ser descoberta mais tarde. O relatório aponta que 3 em cada 4 casos em adultos com menos de 50 anos já são diagnosticados em estágio avançado, regional ou distante.

E um pouco mais de 1 em cada 4, 27%, já aparece com doença à distância.

Isso não é para assustar, é para lembrar que tempo faz diferença. O mesmo relatório traz um contraste que vale guardar: quando a doença é encontrada no estágio local, a taxa de sobrevida em 5 anos chega a 95%.

A parte mais acionável dessa história é rastreamento. Metade dos diagnósticos abaixo de 50 anos acontece entre 45 e 49 anos, uma faixa etária que já é elegível para rastrear.

Mesmo assim, a adesão ainda é baixa. A prevalência de rastreamento entre 45 e 49 anos é de 37%.

Aqui vale um lembrete simples: Rastreamento não é só procurar câncer. Ele também pode evitar que o câncer apareça, ao identificar e remover lesões precursoras antes de virarem um tumor.

A American Cancer Society recomenda que pessoas de risco médio iniciem rastreamento regular aos 45 anos, com testes de fezes de alta sensibilidade ou exames visuais do intestino, e qualquer teste alterado que não seja colonoscopia deve ser seguido por colonoscopia em tempo adequado.

O relatório também reforça o que a boa medicina sempre tenta traduzir em rotina. Mais da metade dos cânceres colorretais é atribuída a fatores modificáveis, como tabagismo, alimentação pouco saudável, consumo elevado de álcool, sedentarismo e excesso de peso.

Na prática, isso não significa culpar o paciente. Significa ganhar consciência do que dá para mudar, e combinar esse cuidado com investigação no tempo certo.

E tem outro ponto que ajuda a colocar as coisas no lugar. Mesmo com avanços, câncer colorretal pode não dar sinais no início. Quando sintomas aparecem, os mais comuns incluem mudança do hábito intestinal, sangue nas fezes, dor abdominal, perda de peso sem explicação, cansaço persistente e anemia por deficiência de ferro.

Se eu pudesse resumir esta coluna em uma frase, seria assim: o câncer colorretal está mudando de perfil, e a melhor resposta é informação clara, rastreamento no tempo certo e atenção aos sintomas sem vergonha e sem tabu.

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Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional.

Fontes:

  1. American Cancer Society, Press Room, “Rectal Cancer Incidence Rising After Decades of Decline as Colorectal Cancer Shifts Toward Younger Generations”, 2 de março de 2026.
  2. American Cancer Society, Guideline for Colorectal Cancer Screening, atualização em 29 de janeiro de 2024.
  3. Siegel et al., “Colorectal cancer statistics, 2026”, CA: A Cancer Journal for Clinicians.
Dr. Danilo Munhóz, médico coloproctologista em Brasília. Cofundador da DuoProcto, com foco em cirurgia moderna e técnicas minimamente invasivas, como laser e cirurgia robótica. Produz conteúdo de saúde íntima e intestinal, sem tabus, com linguagem acessível.
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