
O mês de conscientização é um convite direto, falar sobre prevenção com naturalidade, identificar sinais de alerta, e transformar um exame em proteção real.
Existe um tipo de câncer que costuma ser silencioso no começo, mas que, quando encarado com estratégia, pode ser evitado em muitos casos. Estamos falando do câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino. O Março Azul Marinho existe para isso: tirar o tema da zona de desconforto e colocar onde ele deveria estar, na rotina de cuidado de quem valoriza saúde, longevidade e qualidade de vida.
Os números explicam por que esse assunto importa. No Brasil, o câncer de cólon e reto está entre os mais incidentes. Nas estimativas do INCA para 2026, ele aparece como o segundo mais frequente quando olhamos separadamente homens e mulheres, e soma cerca de 29.790 casos novos no país. No mundo, em 2022, foram aproximadamente 1,9 milhão de casos novos e mais de 900 mil mortes. Esses dados não são para assustar, são para orientar. Prevenção só funciona quando a gente olha para a realidade de frente.
Outro ponto que merece atenção, e que tem sido observado em diferentes países, é o aumento do câncer colorretal em adultos mais jovens. É importante dizer isso com rigor: a ciência ainda não aponta um único responsável. O que existe é um conjunto de fatores associados, que parecem caminhar juntos com a vida moderna: mais sedentarismo, mais excesso de peso, mais álcool, menos alimentos in natura, mais ultraprocessados. Além disso, há hipóteses em estudo envolvendo microbiota e outros elementos do ambiente. Em termos práticos, a mensagem é simples, o cuidado preventivo não é mais um tema exclusivo “para depois dos 60”.
O câncer de intestino muitas vezes se desenvolve a partir de lesões benignas chamadas pólipos. Esses pólipos podem levar anos para se transformar em câncer. E é exatamente aí que mora a oportunidade, se você encontra e remove o pólipo no momento certo, você interrompe o caminho antes que o problema cresça.
É por isso que a colonoscopia é tão importante. Ela não é apenas um exame que “procura câncer”. Ela é um exame de prevenção, porque permite identificar lesões precursoras e removê-las no mesmo procedimento, quando indicado. Em outras palavras, a colonoscopia pode salvar vidas de um jeito muito concreto, evitando que um câncer chegue a existir ou evitando que ele avance em silêncio.
A prevenção não começa na sala do exame, começa na consulta. É nela que avaliamos histórico familiar, sintomas, hábitos, uso de medicações, doenças associadas e idade, e definimos se a pessoa é de risco médio ou se precisa de rastreio mais cedo. Esse detalhe muda tudo. Há diretrizes internacionais que recomendam iniciar o rastreio de risco médio aos 45 anos, e no Brasil a conversa sobre antecipação tem ganhado força justamente por esse aumento em pessoas mais jovens.
A consulta também é o momento de organizar o “básico bem feito”: alimentação, fibra, atividade física, sono, álcool, controle de peso. Isso não substitui rastreamento, mas reduz risco e melhora o funcionamento intestinal, que muitas vezes já está pedindo socorro em forma de constipação, esforço para evacuar e sangramentos que se repetem.
Um dos problemas mais comuns é normalizar o que não deveria ser normal. Alguns sinais merecem avaliação, especialmente quando persistem:
Sangramento nas fezes ou no papel, mudança do hábito intestinal por semanas, dor abdominal persistente, anemia sem explicação, perda de peso sem intenção, sensação de evacuação incompleta. Muitas vezes a causa é benigna, como hemorroidas, mas isso não é argumento para adiar. É justamente o exame clínico, e quando necessário a colonoscopia, que definem o que está acontecendo de verdade.
E aqui entra um ponto delicado, e muito real, a vergonha. Vergonha atrasa diagnóstico. Vergonha faz gente inteligente tentar resolver com “pomada”, “chazinho”, “internet”, e perder tempo. Saúde intestinal é saúde como qualquer outra, não existe cuidado completo quando a gente decide não olhar para uma parte do corpo.
Março Azul Marinho é um lembrete de maturidade. Câncer de intestino é comum, pode começar mais cedo, e em muitos casos é prevenível. Consulta preventiva e colonoscopia não são exagero, são estratégia. Se você tem idade para rastrear, histórico familiar, ou sinais de alerta, não adie por desconforto. Vergonha não protege ninguém. Informação, prevenção e atitude, protegem.
Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.
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Fontes
INCA, Estimativa 2026 a 2028, incidência de câncer no Brasil: https://www.gov.br/
American Cancer Society, recomendações de rastreio do câncer colorretal: https://www.
The Lancet Oncology, tendência de aumento de câncer colorretal de início precoce em múltiplos países: https://www.thelancet.
Assinatura do colunista
Dr. Danilo Munhóz
Coloproctologista, especialista em cirurgias minimamente invasivas
CRM-DF 25.847 / RQE 16.978
DuoProcto / Clínica Primazo
Ed. Cleo Octávio – 01° Andar
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