

Essa é uma dúvida cada vez mais comum, especialmente entre adultos que receberam a vacina contra HPV na adolescência e agora começam a ouvir falar sobre uma nova geração de imunizantes. Afinal, o que mudou? A vacina antiga deixou de funcionar? Vale a pena tomar a mais nova?
Antes de responder essas perguntas, é importante entender por que o HPV merece tanta atenção.
O Papilomavírus Humano, mais conhecido como HPV, é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais frequentes do mundo. A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Embora muitas infecções desapareçam espontaneamente, algumas podem persistir e aumentar o risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer, incluindo câncer do colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. Além disso, alguns tipos do vírus são responsáveis pelo surgimento das verrugas genitais.
Foi justamente para reduzir esse impacto que surgiram as vacinas contra HPV.
Durante muitos anos, a vacina tetravalente foi a principal ferramenta de prevenção disponível. Ela protege contra quatro tipos do vírus: HPV 6, 11, 16 e 18. Os tipos 6 e 11 são responsáveis pela grande maioria das verrugas genitais, enquanto os tipos 16 e 18 estão relacionados à maior parte dos cânceres causados pelo HPV.
Graças à ampla vacinação, diversos países observaram redução importante de verrugas genitais, lesões pré-cancerosas e infecções pelos tipos mais agressivos do vírus. Em outras palavras, a vacina tetravalente foi, e continua sendo, uma excelente vacina.
Então por que surgiu a nonavalente?
A resposta está na busca por uma proteção ainda mais abrangente.
A vacina nonavalente mantém a cobertura contra os quatro tipos presentes na tetravalente e adiciona proteção contra outros cinco tipos de alto risco: HPV 31, 33, 45, 52 e 58. Todos eles também estão associados ao desenvolvimento de câncer.
Na prática, isso significa que a vacina nonavalente amplia o número de tipos oncogênicos cobertos pela imunização, oferecendo uma proteção mais extensa contra doenças relacionadas ao HPV.
Mas atenção: isso não significa que a tetravalente tenha ficado ultrapassada ou ineficaz.
Esse talvez seja o maior mito sobre o tema.
Quem recebeu corretamente a vacina tetravalente continua protegido contra os principais tipos responsáveis pela maior parte dos cânceres relacionados ao HPV e contra aqueles que causam a maioria das verrugas genitais. A chegada da nonavalente não invalida os benefícios obtidos com a vacinação anterior.
A diferença está na amplitude da cobertura.
É como trocar um guarda-chuva grande por um ainda maior. Ambos protegem da chuva. Um deles simplesmente cobre uma área mais ampla.
Outra dúvida muito frequente é se quem tomou a tetravalente precisa refazer a vacinação com a nonavalente.
Não existe uma resposta única para todos os casos. Atualmente, a decisão deve ser individualizada e discutida com o médico assistente, levando em consideração fatores como idade, histórico vacinal, exposição ao vírus e disponibilidade da vacina. O mais importante é entender que não existe uma recomendação universal para que todos os indivíduos vacinados anteriormente repitam o esquema completo.
Também vale lembrar que nenhuma vacina contra HPV tem função terapêutica. Elas não eliminam infecções já existentes, não removem verrugas e não tratam lesões causadas pelo vírus. Seu objetivo é prevenir futuras infecções pelos tipos contemplados na vacina.
Por isso, a vacinação continua sendo mais eficaz quando realizada antes do início da vida sexual. Ainda assim, adolescentes, jovens adultos e, em algumas situações, pessoas com mais idade também podem se beneficiar da imunização.
No fim das contas, a pergunta não deveria ser qual vacina é melhor. A pergunta mais importante é outra: estamos aproveitando todas as oportunidades disponíveis para prevenir doenças que podem ser evitadas?
A boa notícia é que hoje temos vacinas seguras, eficazes e capazes de reduzir significativamente o risco de cânceres relacionados ao HPV. Seja por meio da tetravalente ou da nonavalente, a vacinação continua sendo uma das maiores conquistas da medicina preventiva moderna.
Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.
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Dr. Danilo Munhoz é médico coloproctologista em Brasília. Atua com foco em técnicas minimamente invasivas, incluindo laser e cirurgia robótica, e assina conteúdos educativos sobre saúde íntima e intestinal de forma clara e responsável.
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