Cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam problemas oftalmológicos, segundo o CBO -Conselho Brasileiro de Oftalmologia

Brasília, quarta-feira, 17 agosto, 2022

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Atualizado em: 17 agosto, 2022

Volta às aulas reforça a necessidade do check-up oftalmológico em crianças

O desempenho da criança na escola pode estar associado a uma série de fatores . Um dos fatores que pode atrapalhar o aprendizado é o problema na visão. De acordo com um levantamento feito pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam problemas oftalmológicos.

A médica oftalmologista do CBV-Hospital de Olhos Fabíola Marazato explica que é necessário estar atento a alguns sinais, como quando a criança aperta os olhos ou os esfrega muito. Dra Fabíola destaca ainda que a visão reflete na concentração, na leitura e no aprendizado, por isso é recomendado o acompanhamento oftalmológico da criança.

“Nós tínhamos uma recomendação de fazer um exame na idade pré-escolar, porém hoje, as crianças vão para a escola cada vez mais cedo e acabam se alfabetizando cada vez mais cedo. Então nós sempre recomendamos , além do exame que se faz logo ao nascimento, que sejam feitos exames ao longo da primeira infância, por volta dos três anos e imediatamente também antes da criança ir para a escola. Quando a criança é muito nova, o mundo dela é muito de perto, então , às vezes, ela tem uma miopia, um grau mais pra longe, que não é tão percebido. E quando vai para a escola, quando tem que olhar mais para longe, começam as dificuldades de ver no quadro”, esclarece.

Existem alguns problemas na visão que não apresentam sintomas evidentes, descreve a médica: “Muitas vezes o professor é um grande aliado dos pais, porque percebe alguma dificuldade, mas tem casos que não tem sintoma, então geralmente são casos que tem uma dificuldade em um dos olhos, por exemplo. A criança enxerga relativamente bem porque o outro olho compensa, mas ela não percebe que um dos olhos não enxerga tão bem”.

A oftalmologista orienta que o diagnóstico precoce pode evitar o agravamento de sérios problemas, sendo mais difícil reverter alguns quadros, quando detectados muito tarde. “A nossa visão se desenvolve até os seis anos de idade. Então nós temos que ter boas condições para enxergar até essa idade, para que o nosso cérebro aprenda, vamos dizer assim, a enxergar. Então se tiver uma visão muito ruim nessa idade e descobrir isso com dez anos, a chance de reverter é muito menor”, alerta.

Segundo a médica, geralmente, os graus são problemas mais fáceis de resolver com óculos e a criança tem uma boa aceitação porque é confortável enxergar bem e ela se sente bem por conseguir produzir muito mais e enxergar no quadro. Dra Fabíola ainda conta que os estrabismos refracionais são extremamente dependentes de óculos, pois são causados por graus muito altos. De acordo com ela, isso acontece quando o olho não consegue focar e acaba ficando torto. Então, em alguns casos, ao colocar os óculos, o estrabismo é corrigido.

Há algumas técnicas que tornam a adaptação da criança ao grau mais fácil, conta a especialista do CBV: “Às vezes a criança não sabe se está melhor um grau ou outro e na maioria das vezes, precisamos usar o colírio para dilatar as pupilas. Nós temos alguns recursos onde conseguimos descobrir o grau, sem a informação do paciente. Tem alguns equipamentos mais automáticos que dão uma noção do grau, então é possível examinar as crianças sem problema nenhum”, ressalta.