Com chuvas atípicas em meio a um período geralmente mais seco, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) reforça o alerta para a importância de manter os cuidados contra o Aedes aegypti. Isso porque os ovos do mosquito transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela podem permanecer por até 400 dias sem contato com a água, aguardando apenas as primeiras gotas para romper.
“Esses ovos apresentam elevada resistência à dessecação e podem permanecer viáveis por vários meses aderidos às paredes internas de recipientes, mesmo completamente secos”, explica a bióloga da SES-DF, Kenia Cristina de Oliveira.
Frase: “O período de frio e seca é estratégico para intensificar as ações preventivas, reduzir a quantidade de ovos presentes no ambiente e minimizar o risco de aumento da transmissão da dengue no próximo período chuvoso”
Kenia Cristina de Oliveira, bióloga da SES-DF
Segundo a especialista, um contato com a água pode dar origem rapidamente a uma nova geração de mosquitos. “Recipientes aparentemente secos durante a estiagem têm potencial de representar importantes reservatórios de ovos, favorecendo o aumento populacional do vetor com chuvas atípicas ou logo nas primeiras chuvas da estação seguinte.”
Risco no inverno
Nesse cenário, os cuidados devem continuar, mesmo com a chegada do inverno. Embora as temperaturas mais baixas reduzam a atividade e a velocidade de desenvolvimento do mosquito, elas não costumam ser suficientes para interromper completamente seu ciclo de vida.
“O Aedes aegypti possui mecanismos biológicos que permitem sua sobrevivência durante períodos desfavoráveis. Além disso, práticas como a rega frequente de plantas e o armazenamento de água em baldes contribuem para a manutenção da população do mosquito, ainda que em níveis menores”, ressalta Oliveira.
Cuidados devem ser contínuos
A principal recomendação é manter inspeções semanais em ambientes domésticos e externos às residências. É importante verificar recipientes que possam acumular água; manter caixas d’água e reservatórios devidamente tampados; limpar calhas e ralos; descartar corretamente resíduos sólidos; evitar o acúmulo de materiais inservíveis; e realizar a manutenção adequada de piscinas.
Baldes, tonéis, vasos e pratos de plantas, bebedouros de animais e recipientes usados na irrigação de jardins merecem atenção especial. Pequenas quantidades de água já são suficientes para permitir o desenvolvimento do mosquito vetor.
“O período de frio e seca é estratégico para intensificar as ações preventivas, reduzir a quantidade de ovos presentes no ambiente e minimizar o risco de aumento da transmissão da dengue no próximo período chuvoso”, afirma a bióloga.
Ações da Saúde
Durante todo o ano, a Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da SES-DF realiza ações de monitoramento e combate à dengue. Entre elas estão o uso de ovitrampas para acompanhar a circulação do Aedes aegypti nas Regiões Administrativas (RAs); a inspeção de imóveis residenciais, comerciais e terrenos baldios; além da verificação de pontos estratégicos, como borracharias, ferros-velhos, cemitérios etc.








