Vou me aposentar… E agora?

Brasília, sábado, 9 abril, 2022

Por: Juliana Gai
Atualizado em: 3 maio, 2022

Olá, pessoal… eu aqui de volta. Hoje para falar de um tema que interessa especialmente às pessoas com 55 anos ou mais, aquelas que estão próximas da aposentadoria.

Brasília é, tradicionalmente, um local onde residem muitos funcionários públicos e grande parte deles está feliz com o resultado de seu concurso, afinal, ter estabilidade financeira para construir a vida é bem legal. Entretanto, no serviço público nós ficamos bastante sujeitos ao sistema, ou seja, há menos oportunidades de exercitar a criatividade e, com o tempo, é normal o serviço se tornar cansativo e a pessoa ir começando a pensar em aposentadoria. Em geral, com mais ou menos 25 a 35 anos de serviço, a pessoa se aposenta, por volta de 55 a 65 anos, dependendo de fatores como começar a trabalhar cedo ou não e do que dizem as leis atuais para cada caso. Há aqueles que ficam no cargo até a aposentadoria compulsória que, pelo que fui informada, hoje está em 75 anos para a maioria dos cargos públicos.

Quem tem o empreendedorismo na veia costuma se aposentar mais tarde, porque geralmente são pessoas envolvidas nos seus negócios e acostumadas a afrentar situações difíceis e viver “renascendo” para o mercado de trabalho. Nos meus mais de 20 anos atendendo pacientes em gerontologia e suas famílias, descobri que empreendedores e profissionais liberais tendem a ficar ocupados mais facilmente mesmo que, com a idade, comecem a reduzir sua escala de trabalho. Porém, observo que funcionários públicos tendem a ter mais dificuldade de encontrar ocupação após a aposentadoria. Obviamente, uma carga maior de doenças ocorre em pessoas que não se preparam para a aposentadoria e ficam desocupadas e sedentárias.

Ser funcionário público ou empreendedor depende bastante do temperamento da pessoa e há, ainda, os que são as duas coisas, como eu, que trabalho 20 horas no serviço público e empreendo como profissional liberal e professora no restante do meu tempo. Então não importa o que você escolheu fazer na vida, se preparar para o momento de se aposentar ou de diminuir o ritmo de trabalho é fundamental para não ficar no ócio de maneira exagerada e dar espaço para pensamentos negativos. Há aqueles, inclusive, que descobrem o empreendedorismo após a aposentadoria do serviço público e isto pode ser interessante se fizer sentido para a pessoa ou for a realização de um sonho. O importante é não ficar na estagnação.

Já diz o famoso ditado que aprendi com a minha avó: “cabeça vazia, oficina do diabo”.

Sempre gosto de lembrar que a esperança de vida está alta, então não conte mais com morrer antes de 75 a 95 anos, talvez até antes dos 100 anos se sua saúde for boa. Comece a encarar que você terá uma vida longa após a aposentadoria e se não encontrar um ritmo saudável de ocupação, você começará a se sentir inútil, triste, velho, cansado, solitário e ficará doente. Os pensamentos dominam nosso corpo de uma forma muito intensa. Minha experiência deixa clara a verdade da psicossomática!

Há, obviamente, também, uma diferença entre mulheres e homens da geração atual de pessoas com 55 ou mais anos. São sujeitos que não dividiam as tarefas domésticas, portanto, mulheres desta geração tentem a ser bastante ocupadas com filhos, netos, casamento, atividades religiosas, outras mulheres e a própria casa. Homens costumam ser totalmente dedicados ao trabalho, portanto, este é o momento da vida em que eles tem mais chances de ter tristeza e adoecer por falta de ocupação. Se você é mulher e está casada, fique atenta à saúde mental do seu cônjuge quando ele se aposentar e, preferencialmente, converse antes com ele sobre planejar-se para manter um nível saudável de atividade física e mental. Pode ser um momento muito bom para os casais, pois eles poderão envolver-se mais um com o outro e desenvolver um companheirismo bastante interessante para o enfrentamento do novo momento de vida.

Tive a experiência, por exemplo, de atender vários casais. E é muito comum ver que a esposa manteve as amizades, os chás da tarde com as outras mulheres, a academia, a ajuda com os netos, a ocupação de cuidar dos outros membros da família… Mulheres ficam mais facilmente bem logo após a aposentadoria. Já os maridos estão com aparência cansada, ganham mais peso, ficam sedentários e suas esposas só reclamam que eles não querem sair de casa para nada e assistem televisão o dia inteiro.

Para as pessoas que não tiveram filhos e/ou estão viúvas morando em cidades diferentes da dos filhos é muito importante manter uma rede de apoio social. E onde você encontra esta rede? Eu adoro recomendar as atividades coletivas de academias, porque a pessoa terá um benefício inigualável para a saúde tanto física como mental. Para os homens, é importante não deixar de frequentar as casas dos amigos, ir a clubes, descobrir um hobby novo, como aprender a jogar tênis, peteca, golf ou nadar no Lago Paranoá. Brasília oferece inúmeras oportunidades de prática de esportes ao ar livre para quem tem tempo disponível e o esporte traz consigo estes importantes benefícios como criar comunidades, confrarias, novas amizades, descobertas de novos pontos de vista e desenvolvimento pessoal. Ter amigos é um fator bem relevante para o envelhecimento saudável e a vida longa. Cuide da sua socialização!

Vamos aprender a pensar na aposentadoria ou na diminuição do ritmo de trabalho como uma oportunidade de renascimento, de rever conceitos de saúde e qualidade de vida e de voltar-se para si mesmo e compreender que a vida, de tempos em tempos, muda. Fazer psicoterapia, ir à academia, viajar, passear e mesmo conversar com um gerontólogo sobre planejamento do próprio envelhecimento são meios importantes de se lidar com a aposentadoria e reorganizar a vida, mantendo-se saudável de corpo e mente. Pense nisto! Não espere estar isolado, doente ou deprimido para buscar ajuda, fique atento ao risco que o momento traz e busque informação de qualidade.


Juliana Gai
Gerontóloga, Fisioterapeuta e Terapeuta em Saúde Mental
E-mail: gerontologiapratica@gmail.com
Instagram: @drajulianagai
Youtube: Gerontologia Prática

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