Expo iLab 2026: Como 82 Empresas de Tecnologia Estão Reescrevendo as Regras da Segurança Pública Brasileira

Brasília, quinta-feira, 5 março, 2026

Fonte: da redação PLS

Atualizado em: 5 março, 2026

Na mesma semana em que o Congresso vota a PEC da Segurança Pública, o maior mercado de GovTech do setor toma conta do CICB, e a Axon chega com IA, drones e realidade virtual para mostrar que câmera corporal é só o começo

Enquanto secretários e comandantes debatem política nos auditórios do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), nos corredores ao lado acontece uma outra conferência — silenciosa, mas igualmente decisiva. A Expo iLab 2026 reúne 82 empresas expositoras especializadas em tecnologia aplicada à segurança pública. É o maior vitrine de GovTech do setor já realizado no Brasil, e o que está sendo apresentado ali não é produto. É infraestrutura estratégica de Estado.

O número impressiona menos do que o que ele representa: pela primeira vez, gestores estaduais, comandantes de polícias e secretários de segurança têm acesso simultâneo — no mesmo espaço físico, no mesmo evento — a inteligência artificial, monitoramento em tempo real, gestão digital de evidências, drones, realidade virtual e comunicação crítica. Não como catálogo. Como demonstração operacional.


O Mercado que Ninguém Via — e que Agora Não Pode Mais Ignorar

A Expo iLab 2026 não surgiu do nada. Ela é o reflexo de uma transformação que vem ocorrendo nos orçamentos estaduais de segurança: digitalização deixou de ser diferencial e passou a ser infraestrutura essencial.

Os estados brasileiros ampliam aceleradamente a adoção de:

  • 📹 Câmeras corporais com transmissão ao vivo e rastreamento geolocalizado
  • 🗂️ Plataformas de gestão digital de evidências com preservação de cadeia de custódia
  • 🔗 Integração entre vídeo, dados e comunicação crítica em centros de operações unificados
  • 🤖 Inteligência artificial para análise preditiva, reconhecimento facial e apoio à decisão
  • 💰 Módulos de inteligência financeira para rastreamento de lavagem de dinheiro e fraudes

O modelo que domina os contratos: hardware embarcado + plataformas proprietárias + serviços em nuvem. Com contratos plurianuais, manutenção contínua e integração com sistemas legados — o que, na prática, significa recorrência orçamentária garantida para as empresas e dependência tecnológica crescente para os estados.

“A integração entre gestores e desenvolvedores é essencial para transformar inovação em resultado concreto para a sociedade.”Jean Francisco Bezerra Nunes, presidente do CONSESP e secretário de Segurança da Paraíba


A Axon no iLab: Quando IA Fala com o Policial em Campo

Entre os 82 expositores, a Axon — líder global em tecnologias conectadas para segurança pública, listada na Nasdaq (AXON) — chega ao iLab 2026 não apenas para expor produtos. Sua presença sinaliza um reposicionamento estratégico: o Brasil entrou de vez no radar de expansão internacional da empresa.

“Nossa missão é proteger vidas e apoiar os profissionais de segurança pública com tecnologias que aumentem a segurança e a eficiência nas operações”, afirma Arthur Bernardes, Diretor Nacional da Axon Brasil.

O ecossistema apresentado pela empresa no CICB é um dos mais integrados do evento. Cinco soluções, uma arquitetura única:

🎙️ Axon Assistant — A IA que Fala com o Policial

Incorporado à câmera corporal Axon Body 4, o assistente de voz responde a perguntas em tempo real no campo. Informações de políticas internas, referências legislativas, traduções instantâneas — tudo por voz, sem tirar os olhos da cena. É a diferença entre um agente que age com informação e um que age no escuro.

🥽 Axon VR — Treinamento sem Balas e sem Riscos

O TASER 10 ganhou um gêmeo digital. Por meio de realidade virtual, agentes treinam precisão de mira, colocação de sondas e tomada de decisão sob pressão — sem consumir cartuchos, sem ocupar estandes de tiro, sem horário fixo. Totalmente portátil e sem fio: o treinamento vai ao policial, não o contrário.

🖥️ Fusus — O Painel que Conecta Tudo

Plataforma de centro de operações em tempo real, o Fusus integra câmeras, sensores e dispositivos conectados em um único painel operacional. Já implementado nos EUA e em expansão internacional, o sistema permite colaboração segura entre agências — o antídoto tecnológico para o problema crônico brasileiro de forças que não se comunicam.

🚁 Dedrone — A Defesa do Espaço Aéreo

Sistema baseado em IA para detecção e mitigação de drones não autorizados. Em segundos, identifica, classifica e neutraliza ameaças aéreas com algoritmos que reduzem falsos positivos. Já protege infraestrutura crítica e grandes eventos. Em um país onde drones são cada vez mais usados pelo crime organizado para reconhecimento e transporte de drogas, a solução chega com urgência.

“A integração de inteligência em tempo real, ferramentas de proteção do espaço aéreo e treinamento imersivo representa um avanço significativo para a segurança pública e a proteção da sociedade.”Arthur Bernardes, Diretor Nacional da Axon Brasil

⚡ TASER 10 — Menos Letal, Mais Preciso

O dispositivo menos letal mais avançado da Axon completa o ecossistema. Mais alcance, mais precisão, menos margem para o uso de força letal. Uma peça que interessa tanto aos gestores preocupados com eficiência quanto aos que precisam responder por transparência e uso proporcional da força.


Os Outros Gigantes da Expo: o Ecossistema Completo

A Axon não está sozinha. A Expo iLab 2026 consolidou um ecossistema que inclui empresas nacionais e internacionais de múltiplos segmentos:

🔵 Motorola Solutions apresenta a câmera corporal V500, já adotada por forças brasileiras, com transmissão ao vivo, geolocalização e envio digital de evidências, conectada a um ambiente unificado de dispositivos, softwares e comunicação crítica.

🔵 Helper Tecnologia (brasileira) expõe totens urbanos patenteados com botão de emergência, câmeras 360°, comunicador bidirecional e giroflex integrado, em três modelos direcionados a policiamento urbano, segurança escolar e operações especiais.

🔵 Dígitro Tecnologia apresenta o Guardião (ecossistema de inteligência investigativa), a plataforma UNA (comunicação crítica segura) e o Banco de Faces com reconhecimento facial integrado a bases investigativas. “O foco é ampliar interoperabilidade, soberania de dados e capacidade decisória do Estado”, afirma Ivon Rosa, diretor de Relações com o Mercado.

🔵 Flash Engenharia fundada em 2002 e com mais de 25 mil viaturas equipadas — reforça a presença com veículos especiais de alta performance e tecnologia embarcada certificada por padrões internacionais.

Completam o ecossistema: Berkana, Ulbrichts, Valid, Grupo Tech Biz Forense Digital, SNCAP, Cellebrite, Clearview AI, Cognyte, 4SEC e Inspect — esta última como patrocinadora Cota Diamante do evento.


GovTech: O Setor que Cresce Enquanto o Orçamento Aperta

A paradoxo do momento é revelador: os estados brasileiros enfrentam restrições fiscais severas — e, ao mesmo tempo, ampliam investimentos em tecnologia de segurança. A lógica é simples: tecnologia bem aplicada reduz custo operacional, aumenta eficiência e entrega o que os governadores precisam nas eleições — resultado mensurável.

Para as empresas, a equação é ainda mais atrativa:

  • Contratos plurianuais com atualização tecnológica embutida
  • Dependência de ecossistema (quem adota uma plataforma tende a expandir o mesmo fornecedor)
  • Mercado com 27 estados como clientes potenciais, cada um com orçamento próprio
  • Expansão via municípios — mais de 5.570 clientes em potencial

“A inovação aplicada à segurança pública não é apenas uma ferramenta operacional. Ela é parte da governança institucional e impacta diretamente a eficiência do Estado, a proteção dos mercados e a confiança da sociedade.” — Organização do iLab Segurança 2026


A Pergunta que a Expo Não Responde Sozinha

Oitenta e duas empresas. Tecnologia de ponta. Demonstrações ao vivo. Gestores públicos circulando pelos estandes com tablets nas mãos. Tudo muito impressionante.

Mas a Expo iLab 2026 responde a uma pergunta que não é a mais importante. Ela mostra o que existe. Não garante o que será implementado ,nem como, nem com que governança, nem com que resultado.

O Brasil tem histórico de comprar tecnologia de segurança e não usar bem. Câmeras instaladas sem monitoramento. Sistemas de reconhecimento facial sem protocolo de uso. Plataformas integradas que nenhum agente foi treinado para operar.

A feira encerra nesta sexta-feira com visita técnica da imprensa e demonstração prática das soluções. O teste real começa na segunda-feira — quando os secretários voltam para seus estados, os contratos ficam na gaveta e a câmera corporal precisa ser carregada, ligada e usada por um policial que talvez nunca tenha visto o estande da Axon.

Esse é o gap que nenhuma feira resolve. Só política pública resolve.