Imagem: Ilustração/Arte PLS
Atualizado em: 26 fevereiro, 2026
Uma fusão de fé, arte e resistência indígena que moldou o Sul do Brasil chega à capital federal
entrada franca
Na próxima terça-feira, 3 de março, o coração de Brasília vai receber um pedaço do século XVII. O Instituto Serzedello Corrêa — Espaço Cultural do TCU abre as portas para a mostra comemorativa dos 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis no Brasil, reunindo fotografias históricas, objetos, miniaturas e apresentações musicais que reconstituem um dos capítulos mais singulares da formação cultural brasileira.
A iniciativa é do ministro do TCU Augusto Nardes — gaúcho, filho da terra que ainda carrega, em suas cidades e tradições, a marca mais viva desse legado. O evento acontece das 16h às 20h30, com entrada gratuita e coquetel ao final.
O Que São as Missões Jesuíticas — e Por Que 400 Anos Ainda Importam
Quatro séculos atrás, nos confins do que hoje é o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Argentina e Paraguai, jesuítas e indígenas Guaranis construíram algo que nenhum dos dois teria conseguido sozinho: as reduções jesuíticas, comunidades organizadas que combinavam arquitetura europeia, espiritualidade católica e sabedoria indígena em um modelo sem paralelo na história colonial americana.
No auge, as missões chegaram a abrigar mais de 150 mil pessoas distribuídas em 30 reduções — uma rede de cidades autossustentáveis com igrejas monumentais, oficinas de arte, escolas e orquestras. Sim, orquestras. O padre Antonio Sepp chegou a fundar, em 1698, a primeira escola de música das Américas em São João Batista, hoje território argentino.
O que ficou depois da expulsão dos jesuítas em 1759 e da dissolução das missões? Ruínas tombadas pela UNESCO — e uma herança cultural que ainda pulsa no chimarrão, na música gaúcha, na arquitetura missioneira e nos traços de milhares de descendentes Guaranis vivos.
A Mostra: Três Linguagens Para um Só Legado
A exposição aposta em múltiplas formas de narrar a história:
- 📷 Fotografias históricas — registros que documentam as ruínas e a vida nas regiões missioneiras
- 🏺 Objetos e miniaturas — peças que traduzem a arte e o cotidiano das reduções
- 🎶 Apresentações musicais — o elemento mais poderoso: a música dos Guaranis foi tão sofisticada que encantou a Europa do século XVIII
A combinação não é acidental. As Missões foram, antes de tudo, um projeto cultural — e só uma exposição multissensorial consegue transmitir o que dados e textos sozinhos não alcançam.
O Gaúcho no TCU e o Afeto Como Política Cultural
Que um ministro do Tribunal de Contas da União — órgão de controle financeiro — tome a iniciativa de celebrar um legado histórico-cultural diz algo sobre quem é Augusto Nardes.
Natural do Rio Grande do Sul, estado onde as cicatrizes e glórias das missões são parte da identidade coletiva, Nardes transforma o espaço institucional do TCU em um equipamento cultural a serviço da memória nacional.
É um gesto raro em Brasília: usar o prestígio institucional não para fazer política, mas para fazer história.
Por Que Você Deveria Ir
A exposição é gratuita, acontece num horário acessível e num local central da capital federal. Mas há um argumento maior do que a logística:
400 anos é tempo suficiente para uma civilização ser esquecida. As Missões Jesuíticas quase foram. As ruínas de São Miguel das Missões no Rio Grande do Sul — Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1983 — resistiram à selva, ao tempo e ao abandono. Mereciam também resistir ao esquecimento dos brasileiros que vivem a 2 mil quilômetros dali.
Esta exposição é uma chance de encurtar essa distância.
Serviço
- 📅 Data: 3 de março de 2026 (terça-feira)
- 🕓 Horário: 16h às 20h30
- 📍 Local: Instituto Serzedello Corrêa – TCU | St. de Clubes Esportivos Sul, Trecho 3 – Brasília/DF
- 🎟️ Entrada: Gratuita
- 📞 Informações: Andrade Junior — (61) 99986-2087 (WhatsApp) | Vinícius — (61) 3527-7466









