Famílias buscam alternativas para organizar herança e evitar conflitos; entenda as opções

Brasília, terça-feira, 25 novembro, 2025


Atualizado em: 25 novembro, 2025

Especialista em investimento explica como o planejamento sucessório pode garantir maior segurança e tranquilidade para o futuro

Não é mais apenas com carteiras de investimentos, serviços bancários e crédito que instituições financeiras que as famílias estão procurando proteger e multiplicar seus bens. A gestão de patrimônio evoluiu e passou a incluir uma visão de longo prazo, que integra proteção, sucessão e educação financeira familiar.

O wealth planning, uma estratégia que vai além da rentabilidade dos investimentos, busca organizar, preservar e perpetuar o patrimônio. O trabalho começa com o mapeamento do perfil e dos objetivos dessas famílias, e pode envolver temas como gestão tributária, previdência privada, seguros de vida, distribuição entre herdeiros e dolarização de ativos.

“Multiplicar o patrimônio é importante, mas também é essencial protegê-lo. Um papel importante, é o dos assessores de investimentos, que apoiam esses objetivos a longo prazo, garantindo que os recursos construídos ao longo da vida estejam bem organizados e gerem segurança para ele e para sua família”, afirma Marco Loureiro, especialista em investimento e líder regional da XP no Centro-Oeste.

Entre as ferramentas mais buscadas no planejamento sucessório está a holding patrimonial — em discussão no texto da Reforma Tributária prestes a ser regulamentada — que poderá alterar as alíquotas de contribuição criada para concentrar formalmente os bens de uma família. Essa estrutura reduz o risco de que problemas financeiros de um dos membros afetem o patrimônio coletivo e, ao mesmo tempo, evitar conflitos sucessórios, já que as regras de divisão e gestão ficam previstas no contrato social.

Além da proteção jurídica, as holdings também oferecem vantagens tributárias. O principal benefício está na economia com o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) — cuja alíquota tende a subir nos próximos anos. Enquanto no inventário o imposto incide sobre o valor de mercado dos bens, na holding ele é calculado com base no Imposto de Renda, o que gera economia significativa.

Outro ponto de destaque é a redução no Imposto de Renda sobre rendimentos de aluguéis ou venda de imóveis: enquanto na pessoa física a alíquota pode chegar a 27,5%, na holding o valor cai para cerca de 12% para locação e 8% para ganhos de capital. “Com a possível elevação do ITCMD em tramitação no Congresso, muitas famílias estão antecipando o planejamento sucessório. É uma forma inteligente de garantir previsibilidade tributária e, ao mesmo tempo, proteger o legado familiar”, explica o especialista.

Além das holdings, o seguro de vida e o testamento são peças fundamentais do planejamento. Enquanto o seguro oferece liquidez imediata para cobrir despesas emergenciais e impostos após o falecimento, o testamento garante clareza sobre a vontade do titular, reduzindo disputas e facilitando o processo de partilha. “Já vimos situações em que, com a morte do chefe da família, o cônjuge e os filhos ficaram sem acesso aos recursos, mesmo para despesas básicas. Organizar a sucessão evita esse tipo de problema e garante continuidade financeira”, complementa.

Educação financeira intergeracional

O planejamento sucessório também cumpre um papel educativo: ao envolver herdeiros nas decisões sobre o patrimônio, promove consciência financeira e responsabilidade na gestão dos recursos familiares. Essa nova mentalidade reflete um movimento mais amplo no mercado financeiro brasileiro — em que assessores e especialistas assumem um papel de educadores e estrategistas de longo prazo, ajudando famílias a pensar além da rentabilidade imediata. Por meio de um atendimento próximo e educativo, o assessor contribui para democratizar o acesso a informações e ferramentas antes restritas aos grandes investidores, fortalecendo a cultura de planejamento de longo prazo.