Um dos espaços mais conhecidos de Brasília ganha nova leitura em Monumental, livro de Carlos Henrique Magalhães de Lima, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (Fau/UnB). A obra será lançada terça-feira (28) e quarta-feira (29) e propõe um olhar sobre o Eixo Monumental a partir da arquitetura, da história, da memória urbana e das formas de ocupação da capital.
Resultado de pesquisa no Arquivo Público do Distrito Federal, com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC), a publicação reúne fotografias históricas, registros da construção de Brasília, desenhos técnicos e um ensaio contemporâneo da fotógrafa Joana França, produzido entre 2011 e 2018. O material permite acompanhar as transformações do Eixo Monumental ao longo de mais de seis décadas.
Para o autor, a combinação entre documentos históricos e imagens atuais amplia a leitura sobre uma paisagem conhecida, mas nem sempre observada em suas mudanças. “Os registros da Joana França permitem pensar as transformações no espaço ao longo dos anos”, explica Carlos Henrique.
Resultado de pesquisa no Arquivo Público do Distrito Federal, com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC), a publicação reúne fotografias históricas e registros da construção de Brasília | Foto: Acervo/Arquivo Público
A proposta de Monumental é ampliar a percepção sobre uma paisagem presente na rotina de moradores, trabalhadores e visitantes do Plano Piloto. Para Carlos Henrique, o Eixo Monumental deve ser observado tanto pelo caráter simbólico dos edifícios quanto pelas formas de uso público que se consolidaram no território. “É um lugar que tem aspecto monumental e simbólico, mas também permite diferentes formas de ocupação e apropriação. O livro é um convite para pensar adiante, para pensar o futuro do Eixo Monumental mantendo esse caráter de lugar popular, que permite ocupações variadas”, afirma.
A pesquisa também chama atenção para camadas menos visíveis da construção dos edifícios monumentais. Além de arquitetos e engenheiros, a obra destaca o papel dos trabalhadores que atuaram nos canteiros e ajudaram a transformar desenhos, cálculos e projetos em concreto, mármore, vidro e cidade. “A pergunta inicial era como houve, naquele momento, uma confluência de trabalhadores, operários, arquitetos e engenheiros para fazer tanta obra em tão pouco tempo e com tanta perícia. No detalhamento, na execução das formas e na execução do concreto, tudo isso importa para a realização da obra”, observa Carlos Henrique.
O autor faz pesquisas no Arquivo Público do DF desde a graduação, no início dos anos 2000. Ao longo da investigação para o livro, encontrou documentos, imagens e registros que ajudaram a estruturar a obra. Para ele, a instituição é essencial para a produção de conhecimento sobre Brasília. “Hoje é uma instituição que se modernizou consideravelmente e permite o acesso de forma muito mais facilitada. A equipe do Arquivo Público do Distrito Federal foi fundamental para a pesquisa. É uma instituição muito importante para a história do Brasil”, destaca.






