Março Vermelho: chegada do outono alerta para o aumento de doenças respiratórias e desafio da tuberculose no Brasil

Brasília, quinta-feira, 19 março, 2026

Fonte: DGBB Comunicação & Estratégia

Atualizado em: 19 março, 2026

Com a chegada da nova estação e do Dia Mundial da Tuberculose (24/03), especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce da doença e do cuidado com a saúde pulmonar diante de mudanças climáticas e do ar seco

Brasília, março de 2026 – A transição para o outono, que ocorre oficialmente em 20 de março, traz consigo um cenário climático que exige atenção redobrada com os pulmões. A queda gradual na temperatura com o passar das semanas, aliada à redução da umidade do ar e ao aumento da circulação de vírus respiratórios, eleva o risco de piora de doenças crônicas e a incidência de infecções agudas. Paralelamente, o mês é marcado também pelo Março Vermelho, campanha dedicada à conscientização sobre o combate à tuberculose. Apesar de tratável, a enfermidade ainda registra mais de 80 mil novos casos anualmente no Brasil.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil integra o grupo de 30 países com a maior carga de tuberculose no mundo, contabilizando aproximadamente 5 mil óbitos por ano em decorrência da doença. Diante deste panorama, o Março Vermelho reforça a necessidade de vigilância, com acompanhamento médico, para garantir que sintomas graves não sejam mascarados pelo clima da estação.

O início do outono é considerado um período crítico por combinar ar seco, a chegada de temperaturas mais baixas e a tendência de aglomeração de pessoas em ambientes fechados. De acordo com o Dr. Ricardo Valadares, otorrinolaringologista do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), o inalação do ar frio atua como um gatilho direto para sintomas de asma e rinite, como tosse, falta de ar e congestão nasal.

“Roupas guardadas por muito tempo podem acumular fungos e ácaros, outros dois gatilhos importantes de crise”, alerta o médico. Além disso, o clima seco característico de locais como a capital federal, Brasília, facilita a permanência de alérgenos e poluentes em suspensão no ar. No outono, essa queda na umidade pode reduzir em até 30% a eficiência da limpeza mucociliar, o sistema natural de defesa dos pulmões, o que facilita a instalação de infecções.

Coordenador de pneumologia do Hospital Santa Lúcia, o Dr. William Schwartz complementa que o ressecamento das vias respiratórias dificulta a eliminação de microrganismos. “Isso favorece a inflamação das vias aéreas e aumenta o risco de manifestações agudas, como quadros virais sazonais e pneumonias”, explica o especialista.

Identificando a tuberculose: a regra das três semanas

Um dos desafios do Março Vermelho é educar a população a diferenciar a tosse comum das mudanças climáticas dos sintomas da tuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Enquanto a tosse sazonal costuma ser autolimitada e acompanhada de coriza leve, a tuberculose apresenta sinais sistêmicos mais graves. Os especialistas orientam que se a tosse persistir por mais de três semanas, a investigação para tuberculose torna-se fundamental.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • Tosse crônica por mais de 21 dias.

  • Febre persistente, geralmente ao final da tarde.

  • Sudorese noturna, quando o paciente acorda com roupas de cama e travesseiros molhados de suor.

  • Emagrecimento inexplicável e cansaço progressivo.

  • Expectoração com catarro que pode vir acompanhado de sangue.

“O diagnóstico rápido é a maior arma para reduzir a transmissão no país”, destaca o Dr. Schwartz. Quando identificado cedo, o tratamento possui grandes chances de cura e evita complicações graves, mas a adesão total do paciente é fundamental para impedir o desenvolvimento de resistência bacteriana.

Impacto do clima e da poluição

A saúde respiratória urbana é diretamente influenciada pela crise climática e pela poluição. Situações como as queimadas no período de seca extrema trazem substâncias químicas em suspensão que afetam toda a população. A grande amplitude térmica de algumas cidades, com noites frias e tardes quentes, também atua como um gatilho para crises respiratórias. O clima seco favorece lesões no revestimento das vias aéreas, fragilizando a imunidade local, especialmente em pessoas desidratadas. “O melhor hidratante para a via aérea é a ingestão de água. Sprays de soro são apenas complementos”, ressalta o Dr. Ricardo Valadares.

Grupos de risco e prevenção

Embora a vacina BCG ofereça proteção essencial ao público infantil, determinados grupos apresentam maior vulnerabilidade à tuberculose e complicações respiratórias no outono.

Entre eles:

  • Pessoas acima de 60 anos e crianças menores de 5 anos.

  • Pacientes com doenças prévias, incluindo portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma ou fibrose cística.

  • Imunossuprimidos, como pacientes com HIV, diabéticos, pessoas em tratamento oncológico ou usuários de drogas.

  • Tabagistas. O cigarro, vale destacar, é um dos principais fatores de risco associados tanto à tuberculose quanto ao câncer de pulmão.

  • Pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a meta de reduzir em 95% os óbitos por tuberculose até 2035. Para alcançar esse objetivo, a prevenção deve incluir medidas práticas como manter ambientes ventilados, lavar as mãos com frequência, evitar exposição a poeiras e seguir rigorosamente o calendário de vacinação e os tratamentos de doenças de base.

Estrutura de excelência

Para oferecer suporte a casos complexos, o Hospital Santa Lúcia organiza um fluxo de diagnóstico integrado e multidisciplinar. O serviço de pneumologia nas unidades Sul e Norte conta com ambulatórios especializados em asma grave, nódulos pulmonares, tromboembolismo pulmonar (TEP) e distúrbios do sono.

O hospital disponibiliza tecnologia de ponta para exames diagnósticos, incluindo espirometria (função pulmonar), tomografia de tórax de alta resolução, polissonografia e ressonância magnética. Além disso, a saúde respiratória é trabalhada como um dos pilares do envelhecimento ativo no programa Cuidar+, voltado para o público idoso, reforçando que pulmões saudáveis são essenciais para a longevidade e funcionalidade dos pacientes.