Atualizado em: 17 abril, 2026
Além das aulas, encontros formativos, vivências práticas, lives e a formatura das alunas fazem parte do programação que acontece entre abril e julho de 2026
Entre abril e julho de 2026, o Distrito Federal recebe mais uma edição do projeto Mulheres Fortes, iniciativa que transforma a capoeira em ferramenta de formação, acolhimento e fortalecimento coletivo. Com atividades na Associação Cultural Arena Lutas, no Riacho Fundo I, a programação reúne diferentes frentes e oferece atividades gratuitas que articulam cultura popular, saúde e cidadania.
Criado a partir de uma experiência pessoal de luto e reconstrução, o projeto nasce do desejo de criar redes de apoio entre mulheres. “O Mulheres Fortes surgiu de uma dor muito grande, mas virou um caminho para ajudar outras mulheres a atravessarem momentos difíceis. Ser uma mulher forte, para mim, é não perder a alegria de viver e conseguir compartilhar essa força com outras”, afirma Elisete Pereira, idealizadora e coordenadora da iniciativa.
Ao longo de quatro meses, o projeto propõe uma jornada que conecta corpo, território e escuta, ampliando o papel da capoeira para além da prática esportiva, unindo oficinas, rodas de conversas, lives e o batizado, encerrando o ciclo de atividades.
Apesar de ser uma iniciativa com foco nas mulheres, toda a comunidade pode participar. As pessoas interessadas devem fazer a inscrição através do link disponível na página oficial do projeto: @mulheresf .
Mulheres Fortes é realizado pelo Arenas Lutas com apoio do Bando Matilha Capoeira e financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura do Distrito Federal.
Oficina de Capoeira
As oficinas de capoeira acontecem de abril a julho, sempre às segundas e quartas-feiras, às 20h, abertas a todas as idades e níveis de experiência. Mais do que técnica, as aulas se consolidam como espaço de fortalecimento físico e emocional.
Com mais de 20 anos de trajetória, a professora Kekel destaca o impacto da prática na vida das participantes. “A mulher forte é aquela que não desiste, mesmo quando as coisas ficam difíceis. A capoeira ensina isso o tempo todo: cair, levantar e seguir. E, para muitas mulheres, esse espaço também é sobre se reconhecer, cuidar da própria saúde e encontrar força nas pequenas conquistas do dia a dia”, afirma.
A experiência de quem já participou da edição anterior do Mulheres Fortes também revela a dimensão afetiva das atividades, especialmente entre as alunas que encontram na capoeira um espaço de expressão e pertencimento.
“Eu moro no Riacho Fundo e participei do Mulheres Fortes na última edição. Eu gosto muito do projeto, porque aqui eu posso cantar, dançar e jogar capoeira. O que eu mais gosto é a hora de jogar, é o melhor momento pra mim. Também aprendi maculelê e puxada de rede, e isso foi muito especial”, conta a aluna Guerreira Lara, que garante que fará parte da segunda edição.
Diálogos de Paz
Os Diálogos de Paz acontecem entre abril e junho, com encontros temáticos que promovem reflexões sobre igualdade de gênero, autocuidado e enfrentamento à violência.
A programação inclui:
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18 de abril – Corpo, História e Luta: A Capoeira e a Consciência Racial
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25 de abril – Força Feminina: autocuidado
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16 de maio – Capoeira como Ferramenta de Autodefesa Feminina
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30 de maio – Capoeira e Maternidade: Força que se Multiplica
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13 de junho – Mulheres em Movimento: Empreendedorismo e Autonomia
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27 de junho – Ginga e Proteção: Enfrentando a Violência contra a Mulher
No primeiro encontro, a Monitora Neblina propõe uma leitura da capoeira a partir da história e das questões raciais. “A capoeira nasce de um processo de apagamento de identidades, mas também de resistência. Hoje, ela segue como espaço de ascensão e de construção de consciência, inclusive para as mulheres, que ainda enfrentam desafios para ocupar esses lugares”, destaca.
Vivências com Mestras
A programação também abre espaço para encontros com importantes referências da capoeira no cenário nacional, fortalecendo a troca de saberes entre diferentes territórios e gerações. Nos dias 10 e 11 de julho, o Mulheres Fortes recebe a Mestra Lilu, da Bahia, reconhecida por sua atuação como capoeirista, pesquisadora e educadora, com trajetória dedicada à valorização da capoeira, especialmente na perspectiva feminina.
Na semana seguinte, nos dias 17 e 18 de julho, é a vez da Mestra Arara, do Rio de Janeiro, fundadora de grupo criado em 1996 e referência na formação de praticantes e na difusão da capoeira como ferramenta educacional.
Lives Temáticas
As lives acontecem em julho, no perfil do projeto, ampliando o acesso às discussões e saberes da cultura popular:
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15 de julho – Coco de zambê
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20 de julho – Maculelê
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22 de julho – Samba de roda
As transmissões conectam o público a manifestações tradicionais da capoeira e fortalecem a circulação desses conhecimentos para além do território físico do projeto.
Batizado Arena Capoeira
O encerramento do ciclo acontece nos dias 24 e 25 de julho, das 16h às 22h, com o Batizado Arena Capoeira, um dos momentos mais simbólicos da prática, marcando a entrada de novos integrantes e a graduação de praticantes.
Durante o evento, também será realizada a distribuição de cestas básicas para mulheres que são arrimo de família, reforçando o compromisso do projeto com a solidariedade e o cuidado coletivo.
Serviço
Mulheres Fortes 2026 – Ciclos Culturais e Populares
Período: abril a julho de 2026
Local: Associação Cultural Arena Lutas – Riacho Fundo I
Oficinas de capoeira
Dias: segundas e quartas
Horário: 20h
Inscrições: https://forms.gle/
Mais informações: redes sociais Arena Lutas e Mulheres Fortes






