Mulheres lideram endividamento no Brasil, mas diferença recua, diz pesquisa

Brasília, quinta-feira, 24 abril, 2025


Atualizado em: 24 abril, 2025

Segundo levantamento da CNC, diferença entre endividamento feminino e masculino passou de 1,6% para 0,9% 

As mulheres contraem mais dívidas do que os homens no Brasil. A informação é resultado da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), em parceria com a Serasa, e divulgada em março deste ano. 

Apesar da manutenção das mulheres como mais endividadas, a diferença entre os gêneros diminuiu. O percentual do endividamento feminino chegou a 76,9% em fevereiro deste ano. Já os homens endividados somam 76%. Em 2024, no mesmo mês, 78,8% das mulheres possuíam dívidas, ante 77,2% dos homens. 

 

Desigualdades 

Uma das explicações para o fenômeno é a realidade desigual que as mulheres ainda enfrentam. Conforme o 3º Relatório de Transparência Salarial e Igualdade, divulgado em 7 de abril, as mulheres recebem 20,9% a menos que os homens nos estabelecimentos com 100 ou mais funcionários. 

Enquanto o salário médio de um homem branco é de R$ 4.745,53, o de uma mulher branca é de R$ 3.755,01. No caso das mulheres negras, o salário médio é de R$ 2.864,39, também distante do salário dos homens negros, que recebem, em média, R$ 3.647,97. 

Os dados se fundamentam no Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, que analisou 19 milhões de vínculos empregatícios. Além disso, conforme a pesquisa Serasa/CNC, 47% delas têm dificuldade para obter crédito e pelo menos oito em cada dez (85%) já tiveram algum pedido negado. 

Isso revela que, além da histórica diferença salarial entre os gêneros, o empreendedorismo feminino também encontra barreiras para se desenvolver no país. Por isso, grande parte das mulheres opta pela informalidade para conseguir uma fonte de renda. 

 

Responsabilidades 

Sendo inteiramente responsáveis pelo lar em 33% dos casos, as mulheres acabam criando dívidas para sustentar a família. Olhando para as mais pobres, das classes D e E, o percentual sobe para 43%. 

O estudo também mostra que, mesmo quando há outros provedores em casa, 93% das mulheres contribuem para o pagamento das despesas familiares. zO economista-chefe da CNC, Felipe Tavares, explica que a dívida se dá quando uma pessoa tem menos renda do que o necessário para lidar com as necessidades do dia a dia e, então, precisa de mais crédito. 

Devido à necessidade de manter o nome limpo para aproveitar boas oportunidades e adquirir recursos com taxas mais baixas, as mulheres fecham 25% mais acordos que os homens para zerar as dívidas e regularizar a situação financeira. 

 Ainda segundo a pesquisa, mesmo com os salários mais baixos, 40% das mulheres priorizam a preocupação com o endividamento durante a organização do orçamento familiar.