O Trato que vem de Berço: A história do paraibano que trouxe a família para construir um sonho na capital federal

Brasília, sábado, 6 junho, 2026

Fonte: da redação PLS

Atualizado em: 6 junho, 2026

Como o paraibano transformou a paixão herdada da oficina mecânica de seu pai em uma das
promessas do setor automotivo no Distrito Federal

 

O empreendedorismo brasileiro é frequentemente movido por histórias de profunda conexão emocional, resiliência e laços de família. No dinâmico cenário empresarial do Distrito Federal, onde as oportunidades costumam disputar espaço com a estabilidade dos concursos públicos, trajetórias que rompem o óbvio ganham merecido destaque. É o caso de Herbert Marques Felicio, 31 anos, nascido e criado em João Pessoa, na Paraíba. Com o orgulho legítimo de suas raízes nordestinas, Herbert lidera hoje a TRATO TOP, um empreendimento automotivo que carrega em seu DNA muito mais do que a prestação de serviços: carrega uma herança viva que atravessou gerações.

A relação de Herbert com o universo dos automóveis não nasceu de uma análise de mercado ou de uma ambição corporativa tardia; ela começou como uma paixão de infância. Seu pai acumula mais de 40 anos de experiência como mecânico profissional na Paraíba, e foi exatamente no pátio e entre os elevadores dessa oficina familiar que Herbert cresceu. Enquanto a maioria das crianças dividia o tempo livre com as brincadeiras de rua, ele encontrava seu fascínio cercado por ferramentas, motores e o vaivém de clientes.

Herbert e seu pai Ozias

Durante a adolescência, a rotina já desenhava o profissional persistente que ele viria a se tornar: estudava no período matutino e, à tarde, trabalhava na oficina ao lado de seu pai e de seus irmãos, Victor Hugo e Alef. Entre os jovens da casa, Herbert era o que demonstrava o brilho mais intenso nos olhos ao lidar com o maquinário. Aquilo jamais foi encarado como uma obrigação maçante, mas sim como uma vocação natural. Essa forte influência paterna consolidou o destino dos irmãos; hoje, Alef também atua no ramo automotivo, fincando bandeira no mercado de São Paulo. A tradição familiar havia se transformado em patrimônio de conhecimento prático.

“Para mim, o automóvel nunca representou apenas um produto ou um bem de consumo. Ele sempre simbolizou trabalho duro, aprendizado constante, realização pessoal e a abertura de novas oportunidades de vida.”
Herbert Felicio, fundador da TRATO TOP.

Herbert Marques

 

Aos 12 anos de idade, Herbert já manobrava os veículos no pátio interno, auxiliava nos processos de lavagem e acompanhava atentamente os diagnósticos mecânicos mais complexos realizados pelo pai. Ao longo dos anos seguintes, ele absorveu e operou em todas as vertentes do setor: mecânica geral, estética automotiva avançada, gestão administrativa e comercialização de seminovos. Toda a sua bagagem profissional, sem exceções, foi construída sob o teto do ecossistema automotivo.

A vida de Herbert ganhou novos contornos quando ele conheceu sua esposa, a goiana Lorrane Chaves, durante a participação mútua em projetos missionários e sociais no Piauí e no sertão paraibano, na histórica cidade de Princesa Isabel. O namoro consolidou-se em meio à ponte aérea e rodoviária entre João Pessoa e Brasília, culminando na decisão conjunta de estabelecerem seu lar definitivo na capital federal.

Ao desembarcar em Brasília, Herbert deparou-se com o tradicional conselho local: buscar a estabilidade financeira por meio dos concursos públicos ou do emprego de carteira assinada. No entanto, a convicção interna falava mais alto. Ele dominava um ofício técnico de alto valor e confiava na própria capacidade de gerar valor. Logo após o casamento, o casal tomou uma decisão crucial: em vez de utilizarem os recursos financeiros arrecadados na clássica brincadeira da “gravata” para uma viagem de lazer, optaram por injetar cada centavo na fundação de um negócio próprio.

Os primeiros passos em solo brasiliense exigiram extrema humildade e vigor físico. Sem dispor de veículo próprio ou de uma estrutura física inicial, Herbert começou atuando com lavagem e higienização especializada de estofados residenciais. Ele utilizava o transporte público — ônibus e metrô — carregando o maquinário pesado e os insumos para atender os primeiros clientes nas regiões do Mangueiral, Jardim Botânico e condomínios adjacentes. Cada indicação conquistada representava uma vitória estratégica.

Com o objetivo de acelerar o crescimento e capitalizar suas operações, Herbert implementou uma tática inteligente: tornou-se motorista de aplicativo utilizando um veículo alugado. O carro transformou-se em um escritório itinerante. Enquanto realizava as corridas diárias, ele prospectava clientes de alto padrão, oferecendo seus serviços de estética automotiva por agendamento. O esforço chamou a atenção de parceiros importantes, como o pastor e amigo João Pedro, que cedeu temporariamente um espaço físico para que ele pudesse expandir os atendimentos na região do Jardim Botânico e Solar de Brasília, incluindo o sistema de Leva e Traz.

O volume de trabalho permitiu a abertura de sua primeira sede física de estética automotiva no Pró-DF, onde operou por dois anos e meio. Essa etapa trouxe um dos maiores aprendizados da sua carreira: o entendimento de que a alta carga horária de trabalho, isoladamente, não garante a escala saudável de um negócio. Percebendo que o retorno sobre o investimento e a velocidade de crescimento não correspondiam ao patamar desejado, Herbert demonstrou a maturidade que diferencia os grandes gestores: decidiu encerrar as atividades da empresa de forma planejada, quitando rigorosamente todas as obrigações com fornecedores, sem deixar pendências financeiras no mercado.

“Aquele passo para trás foi, na verdade, o movimento estratégico que me permitiu enxergar os passos seguintes com total clareza. Empreender também significa saber o momento exato de recalibrar a rota.”

Herbert concentrou suas forças no mercado de compra e venda de veículos. Nesse interim, propôs uma parceria com a Royal Automóveis, assumindo as frentes de vendas online e marketing digital da loja. Sob a liderança do proprietário Felipe, essa experiência de três anos e meio funcionou como uma verdadeira pósgraduação executiva em avaliação técnica de alta performance, negociação estratégica, fechamento de contratos e gestão de frotas. Grato pelo ciclo, Herbert sabia que o momento de voar solo havia retornado.

As grandes conexões costumam deixar rastros no passado. Anos antes, na época da sua primeira estética automotiva, Herbert havia parado em frente à loja Box3 atraído pela presença de um Fusca amarelo — modelo pelo qual nutre paixão antiga e que marcou sua vida como seu primeiro carro. Ao filmar o veículo, foi abordado cordialmente pelo proprietário, Eduardo. Ali, Herbert apresentou-se, entregou seu cartão de visitas e executou o primeiro serviço de polimento para o novo conhecido. Os anos se passaram e ambos seguiram suas respectivas jornadas de crescimento.

Em fevereiro de 2026, o destino reaproximou os dois profissionais. Ao passar em frente à Box3, Herbert decidiu parar para um cumprimento cortês. Para sua surpresa, Eduardo revelou que estava justamente cogitando procurá-lo, pois planejava transferir a operação da renomada loja. A sinergia foi imediata: em apenas uma semana o contrato foi assinado e, na semana seguinte, Herbert assumia as rédeas do ponto comercial.

Contudo, o capítulo mais emocionante dessa transição estava por vir. Herbert compreendeu que a conquista do novo espaço era a oportunidade perfeita para honrar suas origens. Ele elaborou uma proposta estruturada para seus pais, convidando-os a integrarem o novo projeto no Distrito Federal. O convite foi aceito: o experiente mecânico paraibano e sua esposa deixaram João Pessoa para trabalhar lado a lado com o filho na capital do país.

Foi sob essa atmosfera de superação, fé e competência técnica que nasceu oficialmente a TRATO TOP. Muito além de uma empresa prestadora de serviços automotivos, a marca consolida uma história de honestidade, persistência e união familiar. Acolhido por Brasília, Herbert Felicio transformou o aprendizado do chão da oficina do Nordeste em um modelo de negócio promissor e respeitado, provando que o sucesso empresarial se constrói com técnica, mas, fundamentalmente, com valores inegociáveis.

  • Valorização da Base Técnica: O domínio profundo do produto ou serviço (o “chão de fábrica”) é um diferencial competitivo crucial para o líder.
  • Recuo Estratégico: Reconhecer o momento de fechar um ciclo para proteger o capital e a reputação é sinal de maturidade empresarial, não de fracasso.
  • Networking de Longo Prazo: Um aperto de mão e um cartão entregues anos atrás (o episódio do Fusca) podem se transformar na maior oportunidade de negócios do futuro.
  • Cultura e Valores de Família: Alinhar o crescimento corporativo com o resgate das próprias origens confere autenticidade e solidez à marca.

 


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