ObservaDF: pesquisa aponta dificuldade das mulheres em conseguir o primeiro emprego

Brasília, terça-feira, 7 junho, 2022

ObservaDF: pesquisa aponta dificuldade das mulheres em conseguir o primeiro emprego

Imagem: Divulgação.


Atualizado em: 7 junho, 2022

Maternidade precoce, falta de uma rede de apoio, além da dificuldade em si de entrar no mercado de trabalho são algumas das dificuldades apontadas por pesquisadora

Pesquisa do ObservaDF, que é vinculado ao Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, aponta que as mulheres ainda enfrentam dificuldades para se inserir no mercado de trabalho. Esta condição faz com que o número de mulheres que não trabalham nem estudam seja maior que o de homens, entre os 15 e 29 anos. Elas representam 31,7%, já entre eles o percentual é de 23,5%.

Para entender melhor o fenômeno, a pesquisa “O que o jovem quer? A inserção no mercado de trabalho dos jovens no DF” desmembra a faixa etária citada acima em três grupos: o primeiro com pessoas entre 15 a 17; o segundo 18 a 24 e o terceiro 25 a 29. No primeiro os percentuais entre os que estudam, estudam e trabalham e não estudam e não trabalham são muito parecidos entre mulheres e homens. Respectivamente, 83,4% e 82,4% só estudam. Os que não estudam e nem trabalham representam 10% e 9,1%, também seguindo a mesma ordem.

Ainda de acordo com a pesquisa, ocorre uma espécie de transição entre a atividade de estudar e trabalhar e a diferença começa a aparecer. Entre os homens, 34% trabalham, enquanto que entre as mulheres, o número não passa de 24,3%. Entre os que não estudam e nem trabalham, os percentuais chegam a 30,8% entre os homens e 38,6% entre as mulheres.

No terceiro grupo, composto por pessoas de 25 a 29 anos, os números se apresentam assim: 65% dos homens só trabalham, enquanto que 21,4% não estudam e nem trabalham. Entre as mulheres: 53,5% só trabalham e 34,4% fazem parte dos nem-nem.

De acordo com a professora e pesquisadora do ObservaDF Andrea Cabello, essas dificuldades podem impor obstáculos que terão consequências para essas famílias por uma vida toda, possivelmente.

“A maior representação de meninas na categoria “nem-nem”, ou seja, aqueles jovens que não trabalham e nem estudam, pode estar relacionada aos desafios da maternidade precoce e a falta de uma rede de apoio para acomodar as necessidades dessas jovens nos estudos e na entrada do mercado de trabalho”, aponta.

Ainda de segundo a pesquisa, os dados citados sugerem que não só a inserção no mercado de trabalho é um processo difícil, em que a transição da escola para a vida profissional não ocorre de forma imediata ou linear, mas também perpassa questões de gênero que devem ser levadas em consideração.

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