Atualizado em: 22 março, 2026
Planejar férias em família exige mais do que escolher o destino e definir datas. Cada vez mais a organização financeira passou a ocupar papel central nesse processo, especialmente para quem busca evitar gastos elevados de última hora.
Nesse cenário, muitas famílias têm adotado a prática de reservar mensalmente um valor fixo para viabilizar viagens futuras de forma mais equilibrada e previsível. Mas, com o dinheiro sendo separado ao longo do tempo, surge uma dúvida comum: onde deixar esses recursos até a data da viagem?
A poupança, tradicionalmente associada à simplicidade e à segurança, ainda é a escolha automática para muitos. Mas investir em carteiras de renda fixa ou em alternativas mais diversificadas pode oferecer maior rentabilidade sem abrir mão da liquidez necessária.
Segundo Marco Loureiro, especialista em investimentos, sócio e líder regional da XP no Centro-Oeste, a decisão deve partir de uma comparação entre a segurança da poupança e o ganho real proporcionado por investimentos conservadores.
“O primeiro passo é colocar os números na mesa. Quando falamos em sacar ou alocar recursos aplicados, é essencial entender quanto esse dinheiro está rendendo hoje. Se a aplicação, como a poupança, oferecer um retorno líquido inferior à inflação ou a outras opções de renda fixa, buscar alternativas financeiramente mais interessantes passa a ser essencial”, afirma.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a poupança ainda é a opção preferida de 23% dos brasileiros na hora de guardar dinheiro. Contudo, com a rentabilidade atual fixada em 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (cerca de 6,17% ao ano) sempre que a Selic está acima de 8,5%, o desempenho muitas vezes perde para a inflação, o que diminui o poder de compra da família até a data do embarque.
Simulações realizadas pela XP mostram que aplicar R$ 100 mil na poupança pode representar, ao longo de dez anos, uma diferença negativa de até R$ 130 mil quando comparado a alternativas de investimentos conservadores como CDBs, LCIs, LCAs e títulos do Tesouro Direto, mesmo em ambientes de juros elevados.
Para o especialista, é importante que a família avalie se o valor reservado para as férias está em aplicações de boa liquidez e rendimento competitivo, sem comprometer a construção de patrimônio de longo prazo.
“Manter o dinheiro bem investido, respeitando o perfil e os objetivos financeiros, costuma ser mais vantajoso do que tomar decisões pontuais que prejudiquem a estratégia de investimento”, conclui. “Muita gente acha que investir é complicado, mas, na prática, tudo começa com clareza de propósito. Quando o investidor entende o que deseja conquistar e o prazo para isso, fica mais fácil escolher os caminhos”, explica Loureiro.
Como cada núcleo familiar possui prazos e orçamentos distintos para as férias, a recomendação final é buscar suporte profissional para personalizar essa carteira. “Um assessor de investimentos consegue analisar o portfólio como um todo e indicar se faz sentido resgatar algum ativo ou manter a estratégia atual”. conclui.










