Pobreza triplica o risco de problemas de saúde mental, segundo relatório da ONU

Brasília, quinta-feira, 2 janeiro, 2025


Atualizado em: 2 janeiro, 2025

Especialista explica as causas e aponta caminhos para mitigar os efeitos da “Economia do Burnout”

Um relatório das Nações Unidas alerta que pessoas em situação de pobreza têm até três vezes mais chances de desenvolver transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão. Segundo os dados, essa realidade já atinge cerca de 11% da população mundial e ainda acompanha uma tendência de crescimento: estima-se que, no futuro, um em cada dois adultos enfrentará algum tipo de problema mental ao longo da vida.

 

O relatório descreveu a “Economia do Burnout”, um fenômeno no qual a busca incessante por crescimento econômico, combinada à precarização do trabalho — especialmente em plataformas digitais e aplicativos —, se consolida como uma fonte de sofrimento mental.

 

Nesse cenário, emergem transtornos como a Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, um distúrbio emocional decorrente de situações de trabalho altamente desgastantes.

 

De acordo com Robson Moraes, diretor técnico da Clínica Crescer Humanizada em Psiquiatria, da ViV Saúde Mental e Emocional, maior grupo de saúde mental do Brasil, a Síndrome de Burnout é uma condição que afeta profundamente a vida do indivíduo, sendo desencadeada pelo acúmulo prolongado de estresse e tensão emocional. “A síndrome é caracterizada pela tríade: exaustão emocional, despersonalização e baixo sentimento de realização pessoal. O indivíduo se sente cansado e sem ânimo para lidar com as demandas laborais, abatimento que vai além do desgaste físico. Também, fica indiferente ou “anestesiado”, em relação ao ambiente de trabalho, colegas e clientes. Por fim, questiona o próprio desempenho, sente-se culpado e é invadido por um sentimento de incerteza e desesperança, quanto ao futuro. Este sofrimento psíquico se tornou comum, num mundo, onde as pessoas buscam, desesperadamente, por melhores condições financeiras. Almejam resultados colossais e, com isso, aceitam a flexibilização de sua carga horária de trabalho, em detrimento da saúde. Levam obrigações laborais para casa e finais de semana, sacrificando o tempo de qualidade que teriam sozinhas, com a família e com os amigos.”, explica Moraes.

 

Entre os principais sinais estão agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo e baixa autoestima. A longo prazo, o distúrbio também pode se manifestar fisicamente, provocando cansaço excessivo, dores de cabeça frequentes, alterações no apetite, insônia, tonturas, pressão alta, dores musculares, problemas gastrointestinais e alterações nos batimentos cardíacos.

 

O tratamento, segundo a especialista, envolve principalmente psicoterapia, podendo ser complementado com o uso de medicamentos como antidepressivos e ansiolíticos, quando há comorbidades associadas. Em geral, os sintomas podem ser controlados entre um e três meses, mas o tempo varia conforme a gravidade de cada caso.

 

Além disso, mudanças no estilo de vida são essenciais para a recuperação. A prática regular de exercícios físicos e atividades de relaxamento, aliadas a momentos de lazer com amigos e familiares, ajudam a aliviar o estresse e prevenir recaídas. Também é recomendada a adoção de pausas prolongadas, como férias, quando diagnosticado o problema.

 

 

Sobre a ViV Saúde Mental e Emocional

 

A ViV Saúde Mental e Emocional é o maior grupo de saúde mental do Brasil e oferece tratamento da baixa à alta complexidade, com cuidados personalizados, com o propósito de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes.

 

Presente em cinco Estados do País (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo) e no Distrito Federal, com seis instituições (Clínica da Gávea, Instituto São José, Vila Verde, Cadmo, Green House e Clínica Crescer), a missão da ViV é elevar a vida ao seu melhor e integrar os lados físico, mental e social de cada paciente, com uma abordagem baseada no equilíbrio entre o científico e a sensibilidade humana. Busca ser reconhecida como uma rede de excelência assistencial para saúde mental e emocional, contribuindo para redução do estigma no Brasil.