Santé Lago Sul recebe degustação exclusiva de vinhos da Vinícola Uvva

Brasília, sexta-feira, 13 fevereiro, 2026

Foto: Santé Lago. Créditos: Lilian Kraemer.

Com: 70 mil e frames do 📸 Giba
Fonte: da redação PLS

Atualizado em: 14 fevereiro, 2026

Evento apresentou ao público brasiliense dois lançamentos Viognier 2024 e o tinto Bateia 2023 – vinhos produzidos entre 1.150 e 1.280 metros acima do nível do mar

O restaurante Santé Lago Sul foi palco de uma degustação exclusiva que reuniu apreciadores de vinho e curiosos em busca de novas experiências sensoriais. As estrelas da noite foram três rótulos da Vinícola Uvva, sendo dois lançamentos, produzidos em vinhedos de altitude no coração da Bahia, uma região que vem ganhando destaque no cenário enológico brasileiro pela qualidade e singularidade de seus terroirs.

Vinícola Uvva

A condução técnica da degustação ficou a cargo dos sócios da WM Vinhos, Wanderson Costa e Marcos Ribeiro, que compartilharam com o público não apenas as características de cada vinho, mas também as histórias por trás de cada safra, os desafios de produzir em altitude tropical e os segredos de vinificação que tornam esses rótulos únicos.

A apresentação não foi apenas uma degustação: foi uma aula sobre como microclimas tropicais de altitude influenciam diretamente o perfil sensorial de cada uva. Os convidados puderam conhecer, sentir e comparar três vinhos que carregam, em cada gole, a assinatura da geografia baiana.


🍷 Os Três Protagonistas da Noite

Sauvignon Blanc 2024: O Equilíbrio Tropical

 

O Sauvignon Blanc Safra 2024 abriu a sequência de degustação. Elaborado com 100% de uvas Sauvignon Blanc colhidas manualmente em vinhedo localizado a 1.150 metros acima do nível do mar, este vinho revela o que a altitude tropical pode fazer: amenidade climática combinada com frescor mineral.

Características Sensoriais:

  • Visual: Amarelo palha com tonalidade dourada, límpido e brilhante
  • Olfativo: Notas aromáticas de frutas tropicais, broto de tomate e notas minerais
  • Gustativo: Acidez integrada, com toque mineral e boa persistência
  • Teor alcoólico: 13,1%

O segredo técnico: Parte das uvas passou por maceração pelicular pré-fermentativa a frio, técnica que extrai aromas e compostos da casca antes da fermentação, resultando em um vinho harmonioso, equilibrado e com personalidade marcante.


Viognier 2024: O Lançamento Estratégico

A grande novidade da noite foi o Viognier Safra 2024, um marco para a vinícola. Produzido a 1.280 metros de altitude, o ponto mais alto entre os três vinhos, este rótulo representa não apenas inovação técnica, mas também coragem de explorar um novo terroir e uma variedade nobre ainda pouco explorada no Brasil.

Características Sensoriais:

  • Visual: Amarelo com toques esverdeados, límpido e brilhante
  • Olfativo: Notas aromáticas de flores brancas, toque mineral e nuances de frutas brancas
  • Gustativo: Acidez viva e equilibrada, retrogosto com notas de frutas brancas, final persistente e refrescante
  • Teor alcoólico: 13%

O diferencial: Fechamento em screw cap (tampa de rosca), uma escolha moderna que preserva a pureza e a vivacidade do vinho, protegendo-o da oxidação e garantindo longevidade sem depender de rolhas de cortiça.

O Viognier é um varietal significativo ao mundo dos vinhos brancos, mas ainda raro em solo brasileiro. A aposta da vinícola em cultivá-lo em altitude tropical revela uma visão de mercado afinada com tendências internacionais.


Bateia 2023: A Complexidade do Corte

Fechando a degustação, o Bateia 2023 trouxe a sofisticação dos tintos. Este vinho de corte (blend) combina 56% Cabernet Sauvignon, 32% Cabernet Franc e 12% Syrah, variedades que conversam entre si de forma equilibrada.

Características Sensoriais:

  • Visual: Vermelho rubi
  • Olfativo: Frutas vermelhas maduras, especiarias como pimenta rosa e sutil nota floral de violeta
  • Gustativo: Acidez integrada e refrescante, taninos macios e retrogosto de especiarias
  • Teor alcoólico: 13,3%

A técnica por trás do sabor: O Bateia passou por maturação dividida: 50% do volume envelheceu por 6 meses em barricas de carvalho, ganhando corpo e complexidade; os outros 50% estagiaram em tanques de aço inox, preservando o frescor e a vivacidade das frutas. O resultado é um vinho que equilibra tradição e modernidade.


🍽️ Harmonização: Quando Gastronomia e Enologia se Encontram

O Santé Lago Sul preparou um cardápio exclusivo pensado especialmente para dialogar com os três vinhos apresentados. A chef do restaurante desenvolveu pratos que respeitam e exaltam as características sensoriais de cada rótulo, criando uma experiência gastronômica integrada.

Cardápio da Degustação:

Primeira Harmonização – Sauvignon Blanc 2024:

Mini Arancini

 

 

 

 

Segunda Harmonização – Viognier 2024:

Mini Pescada Amarela

 

 

 

 

Terceira Harmonização – Bateia 2023:

Mini Trio de Cogumelos

 

 

 

 

Sobremesa:

Banofee

 

A escolha do local não foi casual: o Santé é referência no Lago Sul quando o assunto é experiência gastronômica de alto padrão, com cardápio que dialoga perfeitamente com vinhos de perfil elegante e complexo. A parceria entre a cozinha do restaurante e a seleção de vinhos resultou em uma noite memorável, onde cada garfada conversava harmoniosamente com cada gole.

🎓 A Expertise dos Representantes

Wanderson Costa e Marcos Ribeiro

Wanderson Costa e Marcos Ribeiro (Sócios da WM Vinhos) não apenas apresentaram os vinhos, eles contaram histórias. Durante a degustação, os representantes compartilharam:

O processo de seleção de terroir: Por que cada vinhedo foi escolhido em altitudes específicas
As decisões enológicas: Da colheita manual às técnicas de maturação
O futuro da vinícola: Novos projetos, safras em desenvolvimento e a expansão do portfólio
Dicas de harmonização: Como apreciar cada vinho em diferentes contextos gastronômicos
A didática e o conhecimento técnico da dupla transformaram a degustação em uma verdadeira masterclass, aproximando o público do universo da enologia de forma acessível e envolvente.

🌄 Altitude como Assinatura de Qualidade

O que torna esses vinhos especiais não é apenas a técnica de vinificação, mas o terroir de altitude. Vinhedos acima de 1.000 metros de altitude no Brasil, especialmente em regiões tropicais, oferecem condições únicas:

Amplitude térmica: Dias quentes e noites frias, que preservam a acidez natural das uvas

Radiação solar intensa: Favorece a concentração de aromas e polifenóis
Microclima amenizado: A altitude compensa o calor tropical, criando condições ideais para variedades nobres

Essa combinação rara resulta em vinhos com perfil fresco, equilibrado e de alta qualidade, capazes de competir com rótulos de regiões enológicas tradicionais.

🎯 Por Que Esse Evento Importa?

Eventos como este no Santé Lago Sul cumprem um papel educativo e social: democratizam o conhecimento sobre vinho, quebrando o mito de que enologia é assunto restrito a especialistas. Ao apresentar três rótulos distintos, dois brancos e um tinto, com técnicas e perfis sensoriais variados, o evento permitiu que os participantes comparassem, questionassem e desenvolvessem seu próprio paladar.

Mais do que isso: reforçou que Brasília tem público qualificado e interessado em experiências gastronômicas de alto nível, incentivando outros restaurantes e vinícolas a investirem em eventos similares.
A presença de Wanderson Costa e Marcos Ribeiro como condutores técnicos garantiu profundidade e credibilidade à experiência, transformando uma simples degustação em um encontro entre conhecimento, sabor e convivência.

🔍 Bateia: Quando a Tradição Mineradora Inspira a Enologia

A Ferramenta Que Conecta Ouro e Vinho

O nome do vinho tinto Bateia não é apenas uma escolha poética, é uma ponte simbólica entre dois tesouros extraídos do solo mineiro: o ouro e a uva. A bateia é uma ferramenta tradicional usada na mineração artesanal de ouro em Minas Gerais, um objeto que carrega séculos de história e que se tornou símbolo da identidade cultural do estado.

O Que é a Bateia?

Trata-se de uma bacia cônica de madeira ou metal, geralmente feita de cedro ou pinho, com formato que lembra uma tigela rasa e larga. Seu design não é acidental: a forma cônica e o movimento circular que o garimpeiro imprime à bateia permitem separar o ouro, mais denso, das impurezas e sedimentos mais leves, que são gradualmente eliminados pela água corrente.

A técnica exige paciência, repetição e sensibilidade, o garimpeiro precisa aprender a “ler” o movimento da água, identificar o brilho do ouro entre cascalhos e desenvolver o timing perfeito para não perder o material precioso. É um trabalho artesanal, quase meditativo, onde pressa não combina com resultado.

História e Simbolismo

A bateia chegou ao Brasil no século XVII, durante o Ciclo do Ouro, e tornou-se inseparável da história de Minas Gerais. Cidades como Ouro Preto, Mariana, Diamantina e Tiradentes nasceram e prosperaram ao redor da mineração artesanal, e a bateia era a ferramenta democrática, acessível tanto aos grandes exploradores quanto aos pequenos garimpeiros que buscavam sorte nos rios e córregos.

Com o tempo, a bateia transcendeu sua função prática e se tornou símbolo de persistência, esperança e busca pelo raro. Garimpeiros podiam passar dias inteiros batendo a bateia nas águas geladas sem encontrar nada, mas bastava um pequeno brilho dourado para recompensar toda a espera.

A Metáfora Perfeita para o Vinho

Ao batizar seu vinho tinto de Bateia, a Vinícola Wine estabelece uma analogia profunda entre mineração e viticultura:

Paciência: Assim como o garimpeiro precisa repetir o movimento centenas de vezes, o vinho exige tempo, da poda à colheita, da fermentação à maturação em barricas.

Seleção: A bateia separa o ouro do cascalho; o viticultor seleciona as melhores uvas, descartando as que não atingem padrão de qualidade.
Terroir Mineiro: Ambos os tesouros, ouro e vinho, nascem da mesma terra, das mesmas montanhas, do mesmo solo mineral de Minas Gerais.
Raridade e Valor: Nem todo solo tem ouro; nem todo vinhedo produz vinhos memoráveis. Ambos exigem condições especiais e trabalho dedicado.
 ✅ Tradição Artesanal: A mineração de bateia e a vinificação cuidadosa compartilham o respeito pelo processo manual, pela técnica aprendida ao longo de gerações.

Bateia 2023: Ouro Líquido em Garrafa

O Bateia Safra 2023 é, portanto, mais do que um vinho, é uma celebração da identidade mineira. Cada garrafa carrega a essência de um território que sabe extrair o melhor de sua terra, seja em forma de metal precioso ou de uvas nobres cultivadas a mais de mil metros de altitude.

O blend de 56% Cabernet Sauvignon, 32% Cabernet Franc e 12% Syrah representa o resultado de uma “garimpagem enológica”: a busca pelo equilíbrio perfeito entre variedades, pela combinação que revela complexidade sem perder harmonia. Assim como o garimpeiro bate a bateia até encontrar ouro, o enólogo experimenta cortes até descobrir a fórmula ideal.

E quando você degusta o Bateia, com suas frutas vermelhas maduras, especiarias e taninos macios, está saboreando não apenas um vinho, mas uma narrativa de séculos, uma conexão ancestral entre homem, terra e paciência.