“Volta às aulas requer exame de acuidade visual em função do confinamento e aumento da exposição às telas”, diz presidente da SBrO

Brasília, quinta-feira, 5 agosto, 2021

“Volta às aulas requer exame de acuidade visual em função do confinamento e aumento da exposição às telas”, diz presidente da SBrO

Crédito: SG SHOT/ SHUTTERSTOCK


Atualizado em: 5 agosto, 2021

Falta de sol e excesso de uso de dispositivos eletrônicos agravam os problemas visuais

Após um ano e meio de portas fechadas em função da pandemia, as escolas públicas do Distrito Federal retomam as aulas presenciais, no modelo híbrido, de alunos da educação infantil, do ensino fundamental e médio a partir de hoje (5). Nas escolas particulares, as aulas deste semestre já iniciaram. Neste período, é importante que as crianças façam o exame de acuidade visual para detectar possíveis problemas que reduzem o aproveitamento escolar, principalmente porque o confinamento e uso em excesso de dispositivos eletrônicos para aulas online têm contribuído para o aumento da miopia, olho seco, dor de cabeça, entre outros sintomas.

Antes da pandemia, o Conselho Brasileiro Oftalmologia (CBO) estimava que 20% das crianças precisavam corrigir a refração, no entanto, novos levantamentos indicam que este número aumentou. Pesquisas recentes de diferentes universidades da China, Canadá e América Latina, por exemplo, evidenciam que a falta de luz solar ocasionada pelo confinamento elevou o índice de miopia em menores.

Segundo o oftalmologista Francisco Porfírio, presidente da Sociedade Brasiliense de Oftalmologia (SBrO) e especialista em refração e catarata, os raios solares liberam dopamina na retina, um hormônio que impede o globo ocular de ficar mais comprido e ajuda a prevenir o aumento da miopia. “Nenhuma luz artificial pode substituir os raios do sol na geração da dopamina. Por isso, é importante a criança ficar ao ar livre de forma segura por, pelo menos, duas horas por dia para ajudar a prevenir a progressão da doença”, explica o especialista.

Outra pesquisa realizada no Chile, Colômbia e México demonstrou que 76% dos jovens participantes aumentaram entre três e seis horas sua exposição às telas durante o confinamento. Esse uso excessivo dos dispositivos eletrônicos está relacionado a alguns sintomas como olho seco, visão turva, fadiga ocular, cansaço físico e dor de cabeça. “Isso ocorre porque os músculos do olho sofrem um espasmo causado pelo excesso de esforço visual para perto”, diz Porfírio.

Exame de acuidade visual

Além de detectar disfunções como miopias e astigmatismos, que dificultam o aprendizado e as atividades físicas da criança, o exame ocular completo pode identificar problemas como o estrabismo, lesões de retina por toxoplasmose, entre outros. Muitos deles podem ser corrigidos ou estabilizados quando detectados cedo.

Normalmente, a criança não sabe informar aos pais e professores que apresenta um problema de visão. “Muitas vezes a criança já é estigmatizada como desinteressada, mas, na verdade sofre com problemas de visão que são a causa do mau rendimento escolar”, afirma o oftalmologista.

Segundo ele, quando a criança chega o rosto muito próximo ao caderno ou livro é porque ela pode ter hipermetropia. Já a dificuldade em ver o que está escrito na lousa pode ser miopia. Quando há problemas para distinguir ou combinar cores é sinal de daltonismo.

Outros indícios de problemas oculares nas crianças são: mal rendimento escolar; confusão de letras; lacrimejamento excessivo; dor de cabeça; franzimento da testa; coceira nos olhos e vermelhidão ocular.

Na consulta, são realizados exames que avaliam a integridade anatômica e funcional das diversas partes do olho, dando ênfase ao diagnóstico de vícios de refração – miopia, hipermetropia e astigmatismo. A criança também deve ser submetida a exames de fundo de olho. O procedimento pode identificar doenças sérias como tumores e problemas vasculares.

Outro exame de suma importância é o teste do reflexo vermelho ou do olhinho. Este, por sua vez, deve ser feito nas primeiras semanas de vida. O exame identifica a catarata infantil, responsável por 20% dos casos de cegueira de brasileiros até 15 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde. Apesar de curável, a falta de informação e o diagnóstico tardio são os principais vilões dos pequenos.

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