Alessandra Rossi Cima: A trajetória da estrela do esporte que marcou Brasília

Brasília, sábado, 10 janeiro, 2026

Foto: Alessandra Rossi Cima no Lago Paranoá. Créditos: Arquivo pessoal. Gemini Enhanced Photo

Fonte: PLS
Por: Rodolfo Sócrates
Atualizado em: 12 janeiro, 2026

Da disciplina nos clubes da capital à conquista histórica do Oceans Seven: a nadadora que levou o espírito de Brasília para o topo do mundo.

Brasília sempre foi um celeiro de talentos, mas poucos nomes ressoam com tanta força e resiliência nas águas abertas quanto o de Alessandra Rossi Cima. A ultramaratonista aquática, que fez da capital federal seu lar e base de preparação por anos, é um exemplo vivo de como a disciplina forjada no Planalto Central pode conquistar os oceanos do mundo. Nesta retrospectiva especial para o Portal Lago Sul, celebramos a história dessa personalidade que, braçada após braçada, colocou seu nome — e o do Brasil — na elite absoluta da natação mundial.

A conexão de Alessandra Rossi Cima com a Capital Federal

A relação de Alessandra Rossi Cima com Brasília vai muito além de uma simples passagem. Para quem vive no quadrilátero do Distrito Federal, especialmente na região do Lago Sul, o esporte é um pilar de qualidade de vida, e Alessandra personificou esse espírito com maestria. Foi frequentando os clubes e piscinas da capital que ela aprimorou a técnica e o mindset necessários para enfrentar desafios que a maioria das pessoas sequer imagina.

Esdras Paiva e Alessandra Cima no lago Paranoá

 

Ao morar em Brasília, Alessandra não apenas treinou sob o sol e o clima seco do cerrado, mas também inspirou uma comunidade de nadadores que viram nela a prova de que é possível sair do “quadrado” para dominar mares internacionais. A “estrada” percorrida por ela entre os treinos locais moldou o caráter resiliente que a tornaria uma referência em ultramaratonas aquáticas.

Conquistas e Marcos Históricos: Do Leme ao Havaí

Falar de Alessandra Rossi Cima é falar de pioneirismo e quebra de recordes. Sua carreira é pontuada por feitos que exigem não apenas preparo físico, mas uma força mental extraordinária. Entre seus marcos mais impressionantes, destacam-se conquistas que a colocaram definitivamente na história do esporte nacional:

  • Pioneira em Molokai (Havaí): Alessandra gravou seu nome na história ao se tornar a primeira mulher brasileira a concluir a temida Travessia do Canal de Molokai (Ka’iwi Channel). Foram 44 km de natação em mar aberto, enfrentando correntes fortíssimas e a fauna marinha do Pacífico, consolidando-se como uma das poucas a vencer o “Canal dos Ossos”.

Em 2018, a Travessia do Leme ao Pontal teve duas recordistas na categoria solo feminino (sem neoprene), pois o recorde foi quebrado duas vezes no mesmo ano:

  1. Alessandra Rossi Cima: Estabeleceu o recorde primeiro, em 23 de janeiro de 2018, com o tempo de 9h 56min 52seg.

  2. Betina Lorscheitter: Superou essa marca posteriormente, em 18 de outubro de 2018, completando a prova em 8h 54min 19seg.

A notícia mais recente, no entanto, redefine seu patamar no esporte. No dia 19 de julho de 2025, Alessandra alcançou o Olimpo da natação em águas abertas ao completar o desafio do Oceans Seven — o equivalente aquático aos “Sete Cumes” do alpinismo, consistindo nas sete travessias mais difíceis e perigosas do planeta.

Mais do que completar o circuito, Alessandra foi uma verdadeira desbravadora. Em quatro dos sete desafios, ela gravou seu nome na história como a primeira representante do Brasil a finalizar a prova, abrindo caminho em águas até então inexploradas por brasileiros:

  • Canal do Norte (Irlanda/Escócia) 

  • Estreito de Cook (Nova Zelândia)

  • Canal de Molokai (Havaí)

  • Estreito de Tsugaru (Japão)

Entre as sete travessias lendárias, não poderia faltar a mais icônica de todas. Em 2018, Alessandra completou com sucesso a travessia do Canal da Mancha, ligando a Inglaterra à França. O feito, considerado o “Everest” das águas abertas, foi um passo fundamental em sua jornada rumo ao título global dos sete mares.

Canal da Mancha

Além do feito global, ela mantém sua soberania em águas nacionais, sendo a recordista da desafiadora Travessia do Leme ao Pontal (RJ), na modalidade solo e sem roupa de neoprene.

Esses títulos não são apenas troféus na estante; são a prova cabal de que a preparação iniciada e cultivada em seus anos de Brasília gerou frutos de nível mundial.

O impacto de Alessandra Rossi Cima além das águas

Hoje, ao olharmos para a trajetória de Alessandra, percebemos que sua influência transbordou o ambiente competitivo. Ela se tornou uma referência de comportamento, ética e superação de limites inimagináveis. No Portal Lago Sul, entendemos que o esporte é fundamental para nossa sociedade, e figuras como Alessandra ajudam a construir o tecido social que valoriza o esforço e a meritocracia.

Mesmo para aqueles que não acompanham a natação de águas abertas, o nome de Alessandra evoca uma memória de orgulho. Ela representa a “Brasília que dá certo”: a Brasília que trabalha em silêncio, treina com afinco e vence com integridade.

Onde está Alessandra Rossi Cima hoje?

Muitos leitores e admiradores frequentemente buscam saber os próximos passos da atleta após um feito dessa magnitude. Seja vivendo novos desafios no exterior ou participando de eventos seletos, Alessandra mantém a discrição elegante que sempre lhe foi característica. No entanto, seu legado permanece vivo nas raias das piscinas de Brasília e na inspiração que deixou para a nova geração de nadadores do Lago.

Sua jornada histórica no Oceans Seven é um lembrete poderoso de que, embora os atletas possam cruzar oceanos distantes, as raízes e o impacto que deixam em sua comunidade de origem são eternos.