CASACOR Brasília: Coquetel celebra a fusão de arquitetura e da cultura brasileira no ambiente em homenagem a Jenner Augusto, um dos maiores artistas do país

Brasília, quarta-feira, 4 setembro, 2024

Créditos: Gilberto Cardoso


Atualizado em: 4 setembro, 2024

O espaço é assinado pelo escritório Morada 31.12 e tem parceria do grupo Arco. O evento proporcionará um mergulho na cultura e arte nordestina

Um coquetel especial para arquitetos, designers e empresários será realizado nesta quarta-feira (03/09), na CASACOR Brasília, no ambiente Morada 11.11, projetado pelo escritório Morada 31.12, da arquiteta Mariana Leal, em parceria com o Arco, que é um dos maiores grupos de Brasília para a conexão de arquitetos com empresas do segmento. 

Projetado na maior mostra de decoração da América Latina, o espaço é uma homenagem a Jenner Augusto, um dos maiores artistas plásticos da história do Brasil. Os convidados poderão conhecer um ambiente que reúne arquitetura e também respira cultura brasileira. Trata-se de um living de 130,00 m² que poderá ser visitado até 16 de outubro, na Arena BRB Mané Garrincha. 

Ao som da cantora Celia Rabelo e dos músicos Felix Júnior e Rogério Cordova, no violão e percussão respectivamente,   o evento será temático, trazendo o resgate das raízes nordestinas do homenageado que era sergipano e da arquiteta, que também é sobrinha-neta de Jenner Augusto. Os detalhes do ambiente remetem às memórias afetivas de infância da arquiteta que reproduz parte dos espaços contidos na casa de Jenner Augusto. 

 

Além das obras de arte pessoais do homenageado e de itens pessoais de família, os convidados poderão conferir um espaço que traz latente o conceito de moradia com personalidade e identidade aliados a modernidade, um trabalho que coloca em evidência a essência dos materiais naturais, como a lajota de adobe mesclado com o clássico mármore travertino, uma mistura inusitada que representa a junção das raízes incorporadas ao longo da sua vida. 

A arquiteta traz ao projeto uma proposta de harmonia entre os materiais aplicados, unindo o passado com o presente e mostrando que essa união pode ser feita, proporcionando originalidade com sofisticação.  “Eu quero que as pessoas se surpreendam com a mistura desses materiais. Abordarei a necessidade de projetarmos ambientes residenciais com forte identidade e história, preservando materiais,  objetos, quadros, mobília e outros detalhes do passado em harmonia com novas tendências e tecnologia. Tudo isso atrelado à nova configuração integrada dos espaços.”, disse Mariana Leal. 

Mariana Alves, Mariana Leal, Jacques Simbalista e Pedro Alves

 

Quem é Jenner Augusto?

Jenner Augusto da Silveira, natural de Aracaju, nasceu em 11 de novembro de 1924 e faleceu em 3 de março de 2003, em Salvador/BA. Filho de Augusto Esteves da Silveira e Maria Catarina Mendes da Silveira, Jenner perdeu o pai aos seis meses de idade.

Desde cedo, sua vocação artística foi evidente em seus desenhos e rabiscos escolares. Residiu em várias cidades de Sergipe antes de se fixar em Salvador, incluindo Rosário, São Cristóvão, Itabaianinha, Lagarto, Aracaju e Laranjeiras. Em 1945, realizou sua primeira exposição em Aracaju, e em 1948, após sua segunda exposição, adotou o modernismo.

Em 1949, influenciado por Portinari, pintou murais no Cacique Chá, marco da estética moderna em Sergipe. Transferiu-se para a Bahia e integrou-se ao movimento de renovação da arte baiana. Conviveu com figuras renomadas como Jorge Amado e Dorival Caymmi.

Jenner participou de várias exposições importantes, incluindo a 1ª Bienal de São Paulo em 1951 e, na década de 1960, realizou exposições no Museu de Arte Moderna da Bahia. Em 1966, iniciou sua carreira internacional, expondo nos EUA e em diversos países europeus.

Sua obra retrata temas sociais e regionais, como a vida nos Alagados de Salvador, e foi amplamente reconhecida. Em 2011, a Sociedade Semear homenageou sua trajetória com uma exposição retrospectiva e o lançamento do livro “Jenner, Vida e Obra”. Em 2012, foi realizada a exposição “Jenner, Cores de uma Vida” no Centro Cultural do Banco do Brasil em Brasília.

Jenner Augusto retratou a alma nordestina em suas obras, pintando desde cenários sergipanos até a vida multifacetada da Bahia, sempre com uma visão social e de protesto. Suas pinturas carregam a luz, emoção e beleza de sua terra natal, como bem observou Jorge Amado.

O talento de Mariana Leal pela arquitetura “está no sangue”, pois o trabalho do seu tio-avô Jenner Augusto também influenciou a arquitetura de regiões do nordeste brasileiro, isso porque ele teve uma carreira marcada pela produção de obras que ultrapassaram a pintura em tela. Sua arte pública, em especial os painéis e murais, foi incorporada em diversas edificações e espaços urbanos, influenciando significativamente a arquitetura e o urbanismo de várias cidades do  Brasil.

Jenner Augusto produziu murais que embelezam prédios públicos, igrejas, universidades e espaços culturais. A integração de suas criações artísticas na arquitetura urbana contribuiu para a valorização estética dos espaços e para a disseminação da identidade cultural do nordeste em outras partes do Brasil. 

Alguns exemplos notáveis de sua influência incluem o Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, onde Jenner Augusto, criou murais que adornam os edifícios deste importante complexo governamental, conferindo uma identidade visual única ao espaço. No Teatro Tobias Barreto, em Aracaju, sua cidade natal, o artista plástico produziu murais que decoram o teatro, integrando arte e arquitetura de forma harmoniosa. Ao visitar Aracaju, painéis em Igrejas podem ser vistas, como na Catedral Metropolitana de Aracaju, onde seus murais enriquecem o ambiente sacro. 

Esses exemplos mostram como o trabalho de Jenner Augusto não só enriqueceu a cultura visual das cidades brasileiras, mas também criou uma ponte entre a arte e a arquitetura, resultando em espaços públicos mais vibrantes e culturalmente significativos.


Coquetel especial para arquitetos, designers e empresários