Influenciadores são funcionários ou autônomos?

Brasília, quinta-feira, 12 junho, 2025

Fonte: Prezz

Atualizado em: 12 junho, 2025

Entre março de 2024 e março de 2025, o volume de criadores de conteúdo no Brasil cresceu 67%, saltando de 1,2 milhão para 2 milhões, conforme apontam dados divulgados pela Influency.me. Nos últimos 12 meses, houve um incremento de 800 mil influenciadores digitais no Brasil.

Este é um dado importante e evidencia a realidade das novas ocupações no Brasil e mundo, influenciado pelo avanço tecnológico e pelas tendências das novas gerações, as quais não enxergam fronteiras entre o mundo online e o offline.

Se de um lado temos as novas gerações vendo o mundo sob a ótica online, de outro, é de se esperar que a economia migre do offline para o online. Daí surgem as novas ocupações como os Influenciadores Digitais e Criadores de Conteúdo, pessoas tidas como “gente como a gente” que compartilham seu cotidiano sem filtros ou distanciamentos. Basicamente, a audiência do influenciador digital acompanha o seu dia a dia de forma semelhante a um relacionamento de amizade virtual.

Tal qual se confia em indicações e sugestões de amigos, os influenciadores digitais impactam sua audiência de maneira sutil, com um tom altruísta e publicidades integradas naturalmente ao seu dia a dia. O fato do influenciador inserir tais produtos e serviços em seu cotidiano de forma descontraída e suave, torna verossímil aos consumidores a qualidade atestada por alguém que confiam. Não por menos, o que chamamos de Marketing de Influência têm crescido a passos largos e gerando a adesão de inúmeras marcas e empresas para esta modelagem de publicidade.

Mas o que é Marketing de Influência,  afinal? Em uma definição simples, trata-se da contratação de influenciadores digitais e produtores de conteúdo para divulgarem produtos e serviços de marcas e empresas.

Tais profissionais, em geral, atuam na modalidade autônoma, mediante contrato de prestação de serviços para divulgação de produtos e serviços pontuais. No contrato, será estabelecido o volume de inserções, formato, período de divulgação, bem como o que será divulgado. Em contrapartida, o anunciante espera que, através da divulgação realizada pelo influenciador digital e criador de conteúdo para sua audiência [seguidores], se obtenha, entre outras ações, visitas a sites ou perfis, aumento em vendas, engajamento, validação e transferência de autoridade.

A barreira de entrada para tornar-se influenciador digital e produtor de conteúdo é consideravelmente baixa, haja vista que o interessado necessita de um equipamento de vídeo, que pode ser seu celular, e uma conta em rede social criada gratuitamente.

Dado interessante trazido pelo conhecido Pai do Marketing Moderno, Philip Kotler, em seu Livro Marketing 5.0: Tecnologia para a Humanidade, afirma que: “empoderada pelas mídias sociais, a geração Z registra a vida cotidiana nas redes sociais sob a forma de fotos e vídeos. No entanto, ao contrário da geração Y, que é idealista, a geração Z é pragmática. Enquanto a primeira gosta de postar imagens selecionadas e filtradas de si mesma para fazer certo marketing pessoal, a segunda prefere retratar versões mais autênticas e sinceras de si mesma. Por conta disso, detesta marcas que disseminam imagens editadas e boas demais para serem verdade”.

Assim, a produção de conteúdo consistente e voltada para público específico, sem necessidade de grandes investimentos e/ou produção cinematográfica, gerará ao longo do tempo a maior moeda de troca do setor: a audiência e atenção do público. Com alta rentabilidade após a criação de audiência e baixa barreira de entrada pela simplicidade do conteúdo gerado e insumos necessários, o crescimento do setor tem sido exponencial.

Em que pese a grande maioria dos influenciadores digitais atuarem de forma autônoma como gestores de suas carreiras e realizarem parcerias estratégicas com marcas e empresas, nada impede que firmem contratos de trabalho ou até mesmo parcerias e/ou investimentos mediante disponibilização de espaço de mídia em seus canais em troca de participação acionária, conhecido no mercado como Media for Equity.

Como se vê, é um mercado novo, efervescente, com baixíssima barreira de entrada e que comporta muitas modalidades de contratação, o que justifica e atrai a grande adesão de pessoas da nova geração, não apenas para consumir conteúdos, mas também para se tornarem agentes de divulgação em ambiente virtual.

Dra. Bruna Zanini

Autora: Dra. Bruna Zanini, especialista em direito empresarial e digital, e sócia do escritório ZANINI RIETHER ADVOGADOS.