Março Lilás: Especialista do HUB alerta para câncer de colo do útero

Brasília, quinta-feira, 5 março, 2026

Fonte: Ebserh

Atualizado em: 5 março, 2026

A campanha incentiva a prevenção, o diagnóstico precoce e a vacinação

O mês de março marca um período importante na área de atenção à saúde da mulher e coloca em foco a campanha Março Lilás, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção do câncer de colo uterino. Para esclarecer dúvidas acerca de fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da doença, formas de prevenção e a importância da vacinação contra o HPV, entre outros assuntos relacionados, conversamos com a médica oncologista Adriana Moura, profissional do Hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília (HUB-UnB), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Qual é a relação entre HPV e câncer do colo do útero?
A relação é direta. Praticamente todos os casos de câncer do colo do útero estão associados à infecção pelo HPV, o papilomavírus humano. Esse vírus é transmitido principalmente pelo contato sexual e alguns tipos são considerados de alto risco para câncer. Na maioria das vezes o organismo consegue eliminar o vírus sozinho, mas quando a infecção persiste por muitos anos ela pode causar alterações nas células do colo do útero. Essas alterações podem evoluir para lesões precursoras e, com o tempo, para o câncer.
Quais são os fatores de risco associados ao desenvolvimento dessa doença?
O principal fator de risco é a infecção persistente por HPV de alto risco. Outros fatores que aumentam o risco são início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros sexuais, tabagismo, imunossupressão, como em pacientes com HIV ou em uso de medicamentos que reduzem a imunidade, multiparidade e ausência de rastreamento regular com exame preventivo.
Quais são as principais formas de prevenção do câncer de colo de útero?
A prevenção pode ser feita de duas formas principais. A primeira é evitar a infecção pelo HPV, principalmente através da vacinação e do uso de preservativo. A segunda é o rastreamento, que permite identificar alterações nas células do colo do útero antes que elas evoluam para câncer e o exame mais conhecido é o Papanicolau.
Qual é a importância da vacinação contra HPV tanto em meninos quanto em meninas para prevenir o câncer de colo do útero?
A vacinação contra HPV é uma das estratégias mais importantes. A vacinação em meninas protege diretamente contra o câncer do colo do útero, enquanto a vacinação em meninos ajuda a reduzir a circulação do vírus na população. Além de diminuir a transmissão, amplia a proteção coletiva. O HPV também está associado a outros tipos de câncer, como câncer de pênis, canal anal e orofaringe, então a vacinação beneficia ambos os sexos.
Atualmente, quais são as principais formas de rastreio utilizadas para identificar a doença e como cada uma funciona?
O principal método de rastreamento ainda é o exame citopatológico, o Papanicolau. A intenção do exame é identificar alterações que possam indicar lesões precursoras do câncer ou as próprias células do câncer. Outra opção é o teste de HPV, que identifica a presença do vírus de alto risco nas células do colo uterino. Nesse caso, o exame consegue identificar o risco antes mesmo de surgirem alterações celulares.
Como funciona o atendimento para pacientes com câncer do colo do útero no HUB?
No HUB, atendemos pacientes oncológicos já regulados pela SES/DF. Temos, basicamente, duas portas de entrada para essas pacientes. Uma delas é pela ginecologia, aonde chegam pacientes que já estão em acompanhamento no próprio serviço ou encaminhadas pela atenção básica, geralmente após alterações no exame preventivo. Nesses casos, a paciente passa por avaliação ginecológica, colposcopia e biópsia quando necessário. Se o diagnóstico de câncer é confirmado, ela é então encaminhada para seguimento e tratamento oncológico.
A outra porta de entrada é diretamente pela oncologia, através da regulação do sistema de saúde. São pacientes que já chegam com diagnóstico de câncer e são encaminhadas para tratamento. Nesse momento fazemos o estadiamento da doença e definimos a melhor estratégia terapêutica, que pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, de acordo com o estágio da doença.
Assim, o HUB recebe tanto pacientes que entram pelo fluxo da ginecologia, a partir do rastreamento e diagnóstico inicial, quanto pacientes encaminhadas pela regulação já para tratamento oncológico.
Sobre a Ebserh 
O HUB-UnB faz parte da Rede Ebserh desde janeiro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.