Fonte: da redação PLS
Atualizado em: 28 fevereiro, 2026
A quarta edição do Realize com Pipoca, da Secretaria da Mulher do GDF, prova que acesso à cultura não é luxo, é política pública com rosto humano
Maria do Socorro Silva tem 63 anos, mora em Samambaia e, neste sábado (28), viveu algo que muita gente considera corriqueiro: entrou em uma sala de cinema pela primeira vez na vida.
“Estou emocionada e radiante”, disse ela, moradora de uma das regiões administrativas mais populosas do Distrito Federal, ao sair da sessão promovida pelo Governo do Distrito Federal no Shopping JK, em Taguatinga.
Ela não estava sozinha. Mais de 300 mulheres participaram da quarta edição do Realize com Pipoca — iniciativa da Secretaria da Mulher do DF (SMDF) que usa o cinema como instrumento de transformação social. Juntas, elas assistiram a O Agente Secreto, drama de Wagner Moura sobre escolhas, coragem e superação.
O Que os Números Revelam Sobre o Acesso à Cultura
O depoimento de Maria do Socorro não é exceção — é dado.
É exatamente esse vácuo que o Realize com Pipoca tenta preencher. Em sua quarta edição, o projeto reforça que cultura não é entretenimento de elite — é direito fundamental.
“Atividades de lazer ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade, estimulam a criatividade e a autoconfiança, além de promoverem integração e convivência.” — Renata D’Aguiar, Subsecretária de Políticas para Mulheres
Mais do Que Pipoca: Um Projeto com Método
O Realize com Pipoca não nasce no escuro. Ele é parte do programa Realize, política pública focada no desenvolvimento de habilidades socioemocionais e no planejamento profissional de mulheres — em especial aquelas em situação de vulnerabilidade.
O programa oferece:
- Oficinas e workshops de autoconhecimento
- Palestras sobre protagonismo e autonomia econômica
- Dinâmicas interativas que estimulam a reinserção social
A sessão de cinema funciona como porta de entrada: um momento de leveza que abre espaço para reflexão profunda.
A escolha de O Agente Secreto não foi aleatória. O filme narra a trajetória de Marcelo, um professor diante de escolhas difíceis — uma narrativa que, segundo a secretária Giselle Ferreira, “proporciona reflexões e aprendizados que fortalecem cada participante.”
“Esse projeto é um instrumento poderoso de promoção da autonomia, da autoestima e do bem-estar das mulheres.” — Giselle Ferreira, Secretária da Mulher do DF
“O Cinema Aproxima o Governo das Mulheres”
A presença da vice-governadora Celina Leão no evento não foi protocolar. Ela definiu o projeto com precisão cirúrgica:
“É um espaço de aprendizado e motivação, que utiliza o cinema para tratar de questões importantes do nosso cotidiano.”
A afirmação levanta uma questão mais profunda: se um ingresso de cinema — algo que custa entre R$ 30 e R$ 60 nas salas comerciais — já é barreira de acesso para centenas de milhares de mulheres no DF, o que mais estamos deixando fora do alcance delas?
A resposta pode estar nos próprios dados do GDF: em 2025, a rede de proteção do DF acolheu mais de 4,8 mil vítimas de violência doméstica. Mulheres fragilizadas, isoladas, sem rede de apoio. Para muitas delas, uma tarde no cinema — com pipoca, acolhimento e abraço coletivo — pode ser o primeiro passo para se reconhecer como sujeito de direitos.
O Simbólico que Transforma o Real
Maria do Socorro saiu da sessão emocionada. Mas o que ela carregou consigo não foi apenas a memória de um filme.
Foi a prova de que o Estado pode, e deve, chegar onde o mercado não chega.
A quarta edição do Realize com Pipoca aconteceu na pré-abertura do mês dedicado às mulheres, sinalizando que março de 2026 começa com intenção: mais do que datas comemorativas, o GDF aposta em ações que deixam rastro concreto na vida das brasilienses.
Para Maria do Socorro, o rastro já foi deixado.







